Sunday, 13 February 2011
Fight Club
Só há uma maneira de acabar com a violência doméstica - meter as gajas a treinar com a Telma Monteiro.
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Thursday, 10 February 2011
Diário de Estraminador #2

Querido Diário, come with me if you want to live.
Não? Então tá. Olha, a Scainéte mandou-me outra vez ao passado limpar o sarampo ao Jóne Cónâr, mas falhei. Não é que me distraí na montra de uma loja de televisões a ver uma repetição do Big Show Sic? Epá, 'tava ali montado um belo programa, porra, há que admiti-lo. João Baião sob o efeito de estupefacientes, Macaco Hadrianno, bailarinas russas com celulite, Dj Pantaleão, Ediberto Lima e Carlos Castro no júri? Que é que os humanos queriam mais?
Não via um programa tão culturalmente rico desde... bem, a verdade é que eu nunca tinha visto um programa de televisão. Mas Diário, a parte melhor foi sem dúvida quando entraram os D'Arrasar a cantar o seu "Rainha da Noite". E aí não fui capaz de me conter - e bati o pé. A sério. Há dias assim. No fim de contas, acabei por levar um raspanete por não ter matado o Jóne Cónâr, mas sabes como é, quando se vai ao passado há tanta coisa estúpida para ver que nem apetece a uma pessoa incorrer na prática do homicídio.
Não via um programa tão culturalmente rico desde... bem, a verdade é que eu nunca tinha visto um programa de televisão. Mas Diário, a parte melhor foi sem dúvida quando entraram os D'Arrasar a cantar o seu "Rainha da Noite". E aí não fui capaz de me conter - e bati o pé. A sério. Há dias assim. No fim de contas, acabei por levar um raspanete por não ter matado o Jóne Cónâr, mas sabes como é, quando se vai ao passado há tanta coisa estúpida para ver que nem apetece a uma pessoa incorrer na prática do homicídio.
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Friday, 4 February 2011
Inimigo Imaginário #3

Há dias pensei no Vítor Barraca que andou comigo nos sexto, sétimo e oitavo anos. Lembras-te dele? Sim, de facto, é difícil apagar da memória uma personagem daquele calibre, com um hálito de fazer inveja ao Godzilla. Era um tipo sempre disposto a ajudar, normalmente violentando os ombros dos outros colegas com valentes murraças. Hoje em dia, com todas as modernices que existem, chamar-lhe-iam "bully". Mas o estrangeirismo não assentaria nem seria capaz de descrever tudo aquilo que o Vítor representava. Aquele suor hediondo, a fraca literacia e o sorriso que deixava antever umas gengivas que aparentavam padecer de escorbuto, nada disso cabia na palavra "bully". Porque o Vítor não era apenas o "bully" clássico dos filmes, que violenta, oprime e chantageia.
Quer dizer, ele fazia isso tudo, mas aproveitava para chatear os outros e volta e meia, cuspir. Digo cuspir naquele sentido de o Vítor ser incapaz de falar sem soltar no ar humildes gafanhotos de cuspo. Já quanto a cuspir mesmo, isso era mentira. Uma vez, lembro-me agora, ficou com o cuspo preso no queixo - muito à semelhança do que aconteceu ao Pillas-Boas aqui há tempos. Mas coisa que o Vítor tinha de bom era uma assinalável pontaria, que dava bastante jeito em singelas e mundanas actividades, como atirar calhaus às pessoas.
Sabes que super-poder sempre desejei? Aquele que o Quénu Ríves tem no Má Trics, de parar as balas antes de ser esburacado. Iria usá-lo não para parar balas mas para pôr termo aos perdigotos com que o Vítor nos atingia na face. Que saudades desses tempos, de ver o Vítor chafurdar na lama cada vez que chovia. Não era bom nem mau, sabes? Nos tempos áureos do cavaquismo, era o que havia. Mas cada vez que nisso penso, aperta-me o coração, os olhos enchem-se de lágrimas e as calças de uma urina alaranjada.
Uma memória que tenho bem vívida desses tempos foi quando, num intervalo da manhã, o Vítor manifestou a sua inteligência. Dirigindo-me a ele em tom de ofensa, disse, "És mesmo heterossexual!". Indignado, o Vítor perseguiu-me por toda a escola, não descansando até me esmurrar os ombros de modo prazeroso. Quando lhe expliquei o significado da palavra "heterossexual", soltou um "ah!" e foi-se. Boa cena, dirias tu. Mas não, deixas-te ficar caladinho, a fazer de conta que não existes e o caralho.
O passado já não volta; nunca voltou. E ainda bem, sabes porquê? Porque não sei se aguentaria visionar novamente todos os episódios da novela Anjo Selvagem. Aquilo, parecendo que não, maçava.
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Friday, 28 January 2011
Desodorizante Moldura
Nasceu. Vá lá, já não foi nada mau, há quem não tenha essa sorte. Seu pai, Carrapiço Moldura, tinha uma velha mania de fazer salto em altura para o sofá. Nem sempre com bons resultados, diga-se, como se confirmou a 25 de Maio de 1984, quando ao atirar-se para o sofá o comando da televisão ficou alojado no seu canal rectal.
Fora isso, Desodorizante teve uma infância feliz. A sua mãe levava-o a passear nos jardins da cidade, a andar de escorrega e dar de comida aos patos. De vez em quando andava também naquela espécie de baloiço a moedas às portas dos cafés, em que se metia cem paus e a criança baloiçava uns bons dez segundos. Quase excitante, diriam alguns. Desperdício de dinheiro, diriam outros.
Mas a sua actividade predilecta quando ia passear com a mãe era mesmo dar pão duro de comer aos patos. Por vezes, deixava endurecer pães de forma inteiros, que atirava parvamente às cabeças das aves, pobrezinhas, que lá iam ficando - à semelhança de Desodorizante - com lesões cerebrais.
O melhor jardim da cidade, para Desodorizante, era o Jardim dos Drogados. Tinha sempre aqueles tipos muito castanhos com a Dica da Semana enrolada debaixo do braço para apontar quando andavam a arrumar carros. Mas uma coisa era certinha, não se comparava ao Jardim das Putas.
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Bukowski #2
Eu era jovem quando o meu herói era jovem
sendo a única diferença entre nós o facto de
ele se ter tornado rapidamente famoso
e assim que vi a foto dele
no jornal
em discotecas com famosos
e sem que eu tivesse sequer tempo de respirar, veio uma
guerra
e ele vestia uma farda
toda janota
mas eu lembro-me de ler nos seus
livros
ele dizer que nunca mas nunca iria para a
guerra.
bem, muitos de nós têm
heróis
e não queremos que eles
sejam
vulgares,
queremos que eles sejam perigosos
e originais
e nunca se comprometam com nada.
Eu não conseguia compreender
como podia um homem escrever tão
provocadora e claramente
e depois ir fazer o
contrário.
pensava que aquilo
que tu escreves
vem da tua
alma
e um
final destes
cobarde
protagonizado pelo meu herói
era impossível.
então virei-lhe as costas
e assim o fez também
o público - ninguém estava muito interessado
no livros acerca da sua
vida no exército.
depois ele foi para Malibu e sentou-se na praia e
observou as ondas
caindo na costa como mentiras como mentiras como mentiras...
A Morte de Um Herói, Charles Bukowski. (tradução do Pénis)
Sunday, 23 January 2011
Thursday, 13 January 2011
A Visão Profética de Cicciolina Gordo

O sol penetrava a vidraça, atravessando os ares do quarto numa coluna de luz. Na cadeira da secretária onde tinha o hábito de se sentar para escrever, estava adormecido Cicciolina Gordo. Interrompendo-lhe esta luz o ressonar, levantava-se ele agora da cadeira e deslizava prontamente a cortina, deixando-se entregar à misericórdia destes raios solares. O escritório transformara-se numa selva de livros espalhados e anotações e comida estragada. Faz duas semanas que não cortava a sua barba suja de sopa. As unhas, há meses.
"Estou bloqueado", pensava Cicciolina Gordo, enquanto abria a janela do escritório e acendia um cigarro.
Assim tinha passado os dois últimos meses, entregue às intermitências do desassossego, tresandando a sua casa a algo entre o azedo, o podre e virilhas por lavar. A escrita não lhe saía, e cada vez mais ele se via como um ser humano adiado nos labirintos da sua própria imperfeição. O bloqueio criativo revela-se, em períodos prolongados, fodido.
Assaltavam-no, como nunca, pesadas dúvidas existenciais. Seria o universo, ao contrário do que pensamos, uma criação irracional? Seria o próprio deus que este mundo criara, uma entidade conflituosa e desordeira, como os forcados que frequentam a Feira da Golegã? E se assim fosse, se este deus criador não passasse no fundo de um forcado, será que usaria barrete e calças daquelas que apertam os tomates e tentam escapar pelo rego do cu acima? Estes pensamentos impediam Cicciolina Gordo de viver em paz a sua vida, quando a inspiração se ausentava.
Certa vez, ao acordar, sentiu uma luz. Uma presença. Dormia na cama do seu quarto. Olhou o despertador - mas eram ainda três da manhã. Então, levantando-se da cama, a luz forte e rosada penetrou-lhe nos olhos até nada haver que restasse do seu quarto. A realidade dissolveu-se num nevoeiro e transfigurou-se num mundo de energia pura e de formas rarefeitas.
Pouco a pouco, naquela visão edénica, as formas rarefeitas tornavam-se objectos pertencentes a um lugar que Cicciolina Gordo bem conhecia - o café da biblioteca. Ali estava o balcão, os croissants do dia anterior, as mesas todas vazias. Mas ouviu uma voz:
"Cicciolina Gordo..."
Algo ou alguém chamava o seu nome. Mas como, se ninguém ali estava?
"Cicciolina Gordo..."
A voz... parecia vir de uma mesa do canto. Ele aproximou-se. Passo a passo, olhando em volta, chegou perto da mesa. Num prato, uma tosta mista ainda fumegava, acabada de fazer.
"Cicciolina Gor - Ah, estás aqui."
Sim, a tosta mista acabara de falar.
"Mas como, se ainda não fumei nada hoje nem meti ácido marado?", pensou Cicciolina Gordo.
E assim constatou o óbvio:
"Mas... tu és uma tosta mista!"
Nisto, a tosta principiou a flutuar, e ultimou:
"Quanto muito, terei o aspecto de uma tosta mista, mas sou de facto Deus. Mas podes chamar-me PUTA."
"Porquê PUTA," - questionou Cicciolina Gordo - "Ainda por cima com maiúsculas?"
"Isso é porque deixei o Caps Lock ligado, mas esquece lá isso. O que importa é que sou Deus. Ou PUTA, como preferires."
"Mas como? Como pode Deus ser uma tosta mista?"
A paciência de Deus é infinita. Ou era, até aqui.
"Opá cala-te. Não te lembras que apareci a Moisés num arbusto? Agora apareci numa tosta mista porque, sei lá, apeteceu-me. Arbustos que ardem perpetuamente é cena buédesda velha mén, tipo velho testamento e isso."
"Porque falas comigo então? Será que aquele ácido marado que o Navalhas me arranjou na viagem de finalistas do 12º me fritou a mioleira?"
"Não, Cicciolina Gordo" - disse PUTA - "Trago-te uma missão profética."
"Missão profética? Mas eu sou um simples escritor..."
PUTA olhou Cicciolina Gordo com os olhos ternos que só uma tosta mista pode fazer, e disse-lhe:
"Não, não és um mero escritor. És o autor de obras tão singulares como "Sonham os Forcados com Touros Mecânicos" ou "Os Três Testículos de Palmiro Astúcia". "
No meio de todo aquele queijo flamengo e fiambre rançoso, PUTA trouxera-lhe a boa nova.
"O meu reino está próximo. Vem aí o Messias. Não o reconhecerás à primeira, pois trará vestidos trajes comprados na feira de Santana. Marcas contrafeitas. Uma camisa Sacoor com um rato enorme nas costas, mais propriamente. E ele vem espalhar a minha palavra."
Cicciolina Gordo nem queria acreditar - esquecera-se de ir meter o Totoloto, e agora que estava na presença de PUTA, não ficava bem sair da alucinação só para isso.
"Calou! " - gritou Deus. Perdão, PUTA, interrompendo os devaneios de Cicciolina Gordo.
"Como eu dizia, falo contigo hoje porque foste escolhido para anunciar a chegada do Messias. Cada palavra tua e dele serão minhas, e poderão conter asneiredo. Também gosto de mandar a minha caralhada de vez em quando, sabes? Pronto, no fundo é isso. O universo onde vives é uma ilusão criada por mim há triliões de anos enquanto o Paraíso estava em obras. Sabes como são os trolhas de hoje em dia, fazem ronha e nunca mais acabam a obra, para esmifrar mais um bocado um gajo."
"Não temas, a minha sabedoria infinita servir-te-á de guia. Podes comer rameiras sidosas de bom grado que evitarei o teu contágio. Os dias dos poderosos chegaram ao fim, e começam os dos sabedores. Se falares, não temas, e fala alto como a tua sogra que era peixeira, pois estarei sempre contigo. A não ser que esteja a dar um bom jogo da bola, claro."
A luz penetrava de novo nos olhos de Cicciolina Gordo, que voltava ao quarto, sentado na beira da sua cama. Olhava as suas mãos e tocava nos móveis, certificando-se de que voltara à sua realidade. Teria tudo aquilo sido um sonho? Uma alucinação? Não interessava. A casa continuava a cheirar a azedo, podre e virilhas por lavar. Mas Deus era um tipo porreiro. Uma boa PUTA.
E pela primeira vez em meses, acendera-se na vida de Cicciolina Gordo uma chama de esperança, e entre a barba suja de sopa, ele sorriu.
(Imagem)
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Thursday, 23 December 2010
Wednesday, 22 December 2010
Diálogos Socráticos #3

ANAXIMALANDRO: Alguém tem horas?
ANAXIMERDAS: Não.
SÓCRATES: Só vão inventar o relógio mecânico no século XIII depois de Cristo, burro do caralho.
ANAXIMALANDRO: Então como é que fazemos?
SÓCRATES: Anaximalandro, não é verdade que o filósofo ama o saber?
ANAXIMALANDRO: Sem dúvida, Sócrates.
SÓCRATES: Então se amas o saber, porque não sabes ficar calado?
ANAXIMERDAS: Sócrates, achas que o Escrotécrates vai ficar chateado por não estarmos a trabalhar?
SÓCRATES: Não podemos fugir à nossa natureza, Anaximerdas.
ANAXIMERDAS: E qual é a nossa natureza, sábio Sócrates?
SÓCRATES: Não fazer um boi, como é óbvio.
ESCROTÉCRATES: Então suas mulas, contratei-vos para trabalhar, não foi para estarem aqui no paleio.
SÓCRATES: Sejas bem-vindo à nossa conversa, Escrotécrates. Ainda bem que chegaste, pois estava com imensa vontade de te mandar para a real puta que te pariu.
ESCROTÉCRATES: O quê pá? Levas já uma murraça nos dentes!
ANAXIMERDAS: Por Zeus, Escrotécrates, aguenta aí os cavalos.
SÓCRATES: Sim, Escrotécrates, porque de nada te vale agredir a minha face com os teus punhos calejados de esmurrar montes de brita porque a minha alma acabará por ir para o Hades.
ESCROTÉCRATES: Aquele café ao pé do Talho do Charisteas?
SÓCRATES: Não, Escrotécrates. O Hades é o sítio para onde as almas vão após a morte do corpo. Mas não tenho a certeza de que a tua vá para lá.
ESCROTÉCRATES: Porquê?
SÓCRATES: Porque és trolha. Os trolhas vão para outro sítio - o Hades cá vir.
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dialogos socraticos
Thursday, 16 December 2010
Sunday, 12 December 2010
Friday, 10 December 2010
Carminda Burana
Nasceu em Peixe-Espada-à-Cinta quatro minutos antes do sol se erguer sobre as planícies adubadas a merda de burro. Os pais, Godofredo Quixote Burana e Alzira Gramofone, eram conhecidos na aldeia como gente muito pouco dada a banhos. Resumindo, fediam a bom feder. Alzira ponderou abortar ou fazer um desmanche. Pensando que fazer um desmanche se tratava de desmanchar o feto às peças, lá fez o aborto. Paradoxalmente ou não, ainda assim Carminda acabou por nascer.
Conta Alzira que o Espírito Sancto a visitou uma noite e lhe disse se ter enganado no pipi. Burocracias divinas impediram o dito Espírito Sancto de desfazer o que tinha feito. Deus acabou por contratar um outro Espírito para substituir o Sancto, que foi enviado para o Inferno, onde até hoje vê repetições do episódio número vinte do Jogo do Ganso.
Aos 15 anos já Carminda se notabilizava na escola pela prática do fellatio. A mãe havia notado algo de Cicciolina na miúda, quando ainda bem jovem balouçava alegremente em cavalos de pau. Infelizmente não pôde ter o destino que tanto queria, como actriz pornográfica. Fez castings, tudinho como mandam as regras, mas havia um problema - achavam-na feia como os cornos. Um realizador descreveu-a mesmo como "uma espécie de primata filho da Odete Santos e João Malheiro atropelado por uma charrua". Que é como quem diz, tinha cara de cu.
Isto não a demoveu, e tornou-se puta. Não uma puta qualquer, mas daquelas que mascam pastilha elástica de boca aberta e tudo. Quando descobriu que a Universidade Aberta não tinha cursos na área de putedo, desiludiu-se muito. Actualmente vive com um trolha chamado Maxim, de quem teve um filho, Tozé Brito. Chamam-lhe filho da puta, mas ele não se importa. Porque é.
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Diário de Estraminador #1

Olá diário, sabes quem é que casou? O Pau Arranjer! Verídico. E, de certa maneira, deprimente. Casou com uma espécie de Simara pré-banda-gástrica, parente da baleia-freira do Libertem Willy. A gaja tem tais prateleiras de banha que até dá para pôr lá uns bibelots daqueles ranhosos que a mãe do Pau Arranjer compra nos chineses. Tenho pena do rapaz, tem andado mesmo em baixo. Há duas semanas que não se consegue transmorfar, o que é obra. Mas compreende-se.
Teve de vender o megazorde para comprar um apartamento para a gorda, já viste? Um tipo não merece tão triste destino. Um homem com um futuro brilhante na luta contra monstros do tamanho de arranha-céus vê-se obrigado a entrar nestes esquemas impostos pela ordem social vigente. Isto aborrece-me.
Teve de vender o megazorde para comprar um apartamento para a gorda, já viste? Um tipo não merece tão triste destino. Um homem com um futuro brilhante na luta contra monstros do tamanho de arranha-céus vê-se obrigado a entrar nestes esquemas impostos pela ordem social vigente. Isto aborrece-me.
Mas olha, a Scainéte mandou-me ontem ao passado matar o Jóne Cónâr. Aproveitei e comprei também um busca-pólos porque os gajos do Departamento Eléctrico me cravaram. Vê lá tu, nunca sabem onde põem a merda das ferramentas. Quando fui para assassinar o Jóne Cónâr estava ele a efectuar amor com a mão e, surpreendido, mandou-me levar no cu. Compreendi a situação e dei-lhe só um tiro na perna. Não gosto cá de malcriadices.
Al bi béque.
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Saturday, 27 November 2010
Friday, 26 November 2010
Ó Rameira do Olival
O pipi de uma prostituta, é um lugar-comum?
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Clearasil
Conheço um tipo que é metade pessoa metade acne.
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Dream, dream, dream
O que me conforta é a possibilidade de, um dia, os actores de todas as séries dos Morangos com Açúcar organizarem um suicídio em massa.
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Aguenta
Uma novela da TVI recebeu um Emmy. Fica a faltar o oscar para um filme do Taveira.
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Ó se é
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades de ir à casa de banho.
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Garganta Funda
Vi uma actriz porno estacionada em segunda pila.
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Olha olha II
Os estrábicos acreditam no amor à primeira vista torta.
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Tipo focas
Acho que ainda há um nicho de mercado para o porno com animais marinhos.
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God Shave The Queen
Os monárquicos flatulam gases nobres.
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O nojo
Se o cancro tivesse som, esse som era Jonas Brothers.
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Nip, Tuck
Manuela Moura Guedes é a prova viva de que os cirurgiões deviam treinar mais. Em cadáveres. Tipo Lili Caneças.
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Grim Ripas
Estava pela hora da morte mas atrasei o relógio.
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Pois foi
Pendurei um candeeiro no meu tecto salarial.
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Tu Ó Bófia
Os polícias de merda, sinalizam o trânsito intestinal?
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Eles comem tudo (até miúdos)
A bebida do vampiro pedófilo - Cappuccino Vermelho.
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Descarga
Nunca puxo o autoclismo sem uma ordem de despejo.
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Justin Bibi
Para o Natal quero que o Justin Bieber visite o Carlos Cruz na prisão.
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Music?
Aposto que a sigla do canal MCM quer dizer Mas Ca Merda.
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Fernando Mendes
No país dos gordos impera a lei do mais forte.
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Bagasse
Uma saúde de ferro, só com bagaço inoxidável.
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Terceira Idade
Para ser politicamente correcto chamo o ferro-velho de ferro-idoso.
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Duro de Matar Várias Vezes
Não fosse o Steven Seagal os endireitas estavam todos no desemprego.
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Realmente
Se Maomé não vai à montanha... who gives a shit?
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Agri-doce
O agricultor que se aposenta, vai para a reforma agrária?
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Bué Fashion
Os estilistas fazem puzzles com peças de roupa.
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Liver Dance
Bebo para esquecer a ressaca do dia seguinte.
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Zoológico
Sou contra a violência com os animais. Só como pato de não-agressão.
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Peso Certo
Faço jogging com gordos para me sentir em boa forma.
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Deveras
Cãibra tem mais encanto na hora da despedida.
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Prémio Pessoa
As casas dos escritores, são habitações literárias?
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Cinco dó Tubro
Provérbio republicano: rei morto, rei morto.
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Carcanhol
Ando a nadar em dinheiro, mas as moedas de um cêntimo arranham-me os braços.
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Se calhar
Quanto o racionalista tem frio, cobre-se de razão?
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Little Red Riding Hood
Capuchinho Vermelho: belos tempos em que se davam aos filhos nomes de peças de roupa.
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Coffin & TV
Estou cada vez mais certo de uma coisa - a minha máquina de lavar tem programas melhores que a televisão.
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Elder
Meti os meus bons velhos tempos num lar da terceira idade.
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Poo
Quem não consegue fazer cocó, é prisioneiro de ventre?
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Friday, 19 November 2010
Cthulhu Roberto Pimenta
Decorria o ano de mil oitocentos e bardamerda quando, para surpresa dos pais, Cthulhu Roberto esteve para não nascer. Depois lá nasceu e pronto, fez-se homem. Vá, pronto, não se tornou mesmo num homem, mas qualquer merda lá pelo meio. O seu progenitor, numa viagem de negócios que fizera à Idade Média, contraíu lepra. No regresso, ao sacudir a pila durante uma mija, viria a ficar com o órgão sexual às peças.
Desde cedo Cthulhu compreendeu o esforço dos pais para que ele estudasse. Logo ele, que tinha nascido com cara de cefalópode. Cthulhu sempre tivera estranhos hábitos. Por exemplo, apreciava esmurrar a entrada do ânus quando as vontadinhas não lhe eram feitas. Outras vezes, gostava de bochechar com betadine e cuspir o resto da solução pela janela, acertando regularmente no carteiro.
Mesmo com aquela cara de lula, aventurou-se no mundo da tauromaquia. Vá, tornou-se forcado. Aos vinte e três anos havia já partido sete costelas e lesionado gravemente o fígado, num choque frontal com vinho tinto carrascão. Notabilizou-se pela escrita de duas das maiores obras literárias do século não-sei-quantos: um panfleto taurino da Feira da Golegã e uma mensagem sms de apoio a um ex-amigo sidoso, que dizia assim: "Forxah, tuh konxeguex venxer! LOol!"
Aos 35 anos foi destacado para a guerra, embora não se saiba bem qual. Sabe-se, isso sim, que voltou de lá sem dois braços, duas pernas e uma orelha. E pergunta-se o leitor "mas como é que o narrador sabe destas coisas"? O narrador responde, como um cavalheiro do caralho que é, que sabe disto porque neste momento, no nevoeiro de bactérias analmente penetradas que é a vida, encontra-se a pisar, com o auxílio de uma bota de biqueira de aço, a ponta do escroto de Cthulhu Roberto. Depois disto, penso que poucas dúvidas existam de que sou uma pessoa de bem.
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Wednesday, 17 November 2010
Monday, 1 November 2010
Friday, 29 October 2010
Pérolas Kitsch #1
Como diz o outro, de meter medo ao susto.
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Friday, 22 October 2010
Wednesday, 20 October 2010
Regresso ao Passado

De cabeça baixa mas de olhos apontados às estrelas, avistando o céu num olhar sonhador, assim mantinha ele essa esperança cinzenta, mergulhada num baço nevoeiro ilusório. Quantos planetas, estrelas, constelações... que vida haveria neles? Era desta forma que Martim McMosca se perdia na imensidão desse uísque rasca que comprara no Minipreço. Bebia-o em pequenos goles, lentos, sentindo-lhe esse gosto amargo - o travo da solidão que conhecia bem.
Com o peito carregado de desilusões e remorsos, nada mais restava a Martim McMosca senão escrever. Registar, documentar, como forma de exorcismo dos seus erros irreparáveis, resultantes dessa fantasia escapista chamada DeLorean. Que mais eram aquelas viagens ao futuro, questiona-se hoje Martim, senão uma tentativa de escapar ao passado? De ignorar o presente?
Viajando pelo tempo, numa invenção do Doutor Américo ou na sua imaginação, Martim perdeu a vontade, o livre-arbítrio, e passou a viver num futuro e não no presente. E o futuro que um dia viu, nunca chegou a sê-lo. Por isso senta-se agora entre dias banais na esplanada do café "O Borra-Botas", observando a rotina daqueles que vivem do presente. Como ele gostaria de ter feito o mesmo, mas deixou escapar o futuro entre os dedos. Resta-lhe pois o pó dos livros, o testemunho inútil e desiludido nos seus poemas, que escreve para esquecer a monotonia do seu coração adormecido entre tempos. Um testemunho do que não foi e poderia ter sido. Saudade, na sua mais corrosiva forma.
Chegou a primavera e ouve-se na rua o chilrear dos pássaros. Esses mesmos pássaros que seguem também largando poias na calçada, carros e volta e meia na cabeça dos transeuntes. Martim observa da janela do seu bafiento quarto a beleza do mundo exterior, e decide-se em sair à rua. Caminha pelas ruas estreitas da cidade ao acaso, deslocado, como o homem na multidão de Poe. Ao seu largo vê passar um mundo que não lhe pertence, que não conhece, que não é seu. A sua condição solitária, reforçada pela sua falta de higiene, isolam-no do resto do mundo, e se não isolam é bom que o façam, já que às vezes tresanda mesmo dos pés.
Mas é com aquele cabelo desgrenhado, as botas encardidas e as unhas no tom castanho de quem andou a coçar o cu que, numa esquina, avista um anjo. Ou pelo menos assim lhe terá parecido.
'Jennifer,' disse Martim McMosca. 'Então, estás gorda?'
Jennifer não lhe respondeu, sorrindo apenas. A cara de Martim avermelhou.
'Desculpa, sabes que não sou bom nas palavras. As coisas só me saem bem nos poemas.'
'Não faz mal', disse-lhe Jennifer.
'Queres ir tomar um café?'
'Pode ser,' disse Jennifer.
Mas não o disse por gosto - talvez por piedade cruel para com este pobre ser moribundo.
Falaram das coisas que fizeram nos últimos vinte e cinco anos. De outros amores, de idas à praia, do facto de Martim se recusar em tomar banho. Até que, no meio da conversa, Martim se reconciliou com a expressão oral. Da sua boca saíram todas as palavras que há muito tempo queria que Jennifer ouvisse. Disse-lhe como viveu demasiado tempo no futuro, esquecendo o presente. Disse-lhe que por pensar que esse futuro estava já determinado pelas leis do universo, não insistiu mais no amor que os unia. Disse-lhe que viajava ao futuro para tentar esquecer o passado. Disse-lhe que sempre viveu em dois tempos e nenhum deles foi o presente. E que mesmo o seu passado fora um pretérito imperfeito.
Jennifer ouviu com atenção, e com o coração batendo depressa, sorriu-lhe. Então, um enorme estrondo se ouviu na rua, e um burburinho entre os transeuntes. Mas Martim McMosca reconhecia aquele barulho.
'É o DeLorean', disse a Jennifer. E precipitou-se para o exterior do café.
Do DeLorean estacionado no meio da estrada, Martim McMosca viu sair um jovem Martim. O jovem Martim dirigiu-se de imediato ao mais velho.
'Venho dar-te uma mensagem, velho Martim McMosca', disse o jovem.
'O que é?'
'Deves sair da casa onde vives, senão dentro de seis meses vais lá morrer incinerado num incêndio.'
Ao ouvir isto, Jennifer aproximou-se do mais velho Martim, enroscando o seu braço no dele.
'Não,' respondeu o mais velho Martim. 'Chega-me de viver dependente do que acontece no passado e no futuro. Desta vez, vou viver no presente. Tudo o que preciso, está aqui. Este cocó de pássaro no passeio, o cheiro a frango assado ali da churrasqueira, o hálito a morto do meu senhorio.'
E, ajoelhando-se, disse:
'Jennifer Patrícia, casas comigo?'
O Martim McMosca mais novo achou tudo aquilo deveras patético. Jennifer sentiu um arrepio na espinha, provocado por um pingo de água que caíra duma varanda. Então respondeu ao pedido de Martim.
'Martim', disse-lhe. 'Casarei, mas com duas condições: Primeira - tomas banho todos os dias. Segunda - fazes aquilo que o teu Eu mais novo disse e mudas de casa. Morreres incinerado e saberes que isso vai acontecer não me parece muito inteligente.'
Na cara do mais velho Martim McMosca desenhou-se um enorme sorriso, e levantou-se segurando as mãos de Jennifer. O mais novo Martim McMosca, que assistira àquele nojento momento de piroseira, vomitou na calçada a caldeirada de lulas do almoço.
Ao casamento de Martim e Jennifer McMosca veio gente de todo o lado, tempo histórico e verbal, como perturbadoras memórias vestidas em roupa da Fabio Lucci. Martim já não cheirava a bedum e chulé. Já Jennifer, continuava asseadinha.
À porta da igreja, um veículo espera pelo mais novo Martim McMosca. O jovem Martim despede-se dos noivos com um enorme abraço e, dirigindo-se ao DeLorean, recorda o que aprendeu nesta viagem que fez no tempo: um gajo deve, sempre que possa, lavar os pés.
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Thursday, 14 October 2010
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