Desta vez no Homofonias trago, imagine-se, uma música portuguesa. Vá, semi-portuguesa, semi-espanhola. Uma coisa ibérica. A homofonia, claro está, encontra-se na parte espanhola (vulgo castelhana) da música. É que a parte "es como saltar un hoguera" sempre me pareceu "es como assaltar o Nogueira", algo que seria portanto uma referência a um hipotético assalto ao Bruno Nogueira. Enfim, é só isto. Agora oiçam.
Thursday, 17 September 2009
Wednesday, 16 September 2009
Diálogos Socráticos #1

Caminhando desajeitadamente, arrastando as chinelas pelo chão poeirento, vai Equécrates, a quem Símias mandou pedir a Sócrates se este por acaso tinha trinta gramas de surro que lhe dispensasse. Nisto, Equécrates encontra Sócrates sentado num calhau, como é apanágio de qualquer filósofo, e coçando o sovaco com a unha do indicador direito, como é apanágio de um trabalhador da construção civil. Além de coçar, Sócrates encontra-se batendo o sacana de um papinho com Platão, que anota as suas sábias palavras numa sebenta.
PLATÃO: Mas diz-me Sócrates, que mania é essa a tua de não tomares banho?
SÓCRATES: Ora meu caro Platão, estarás tu por acaso a pretender insinuar que a minha pessoa fede?
PLATÃO: A pretender insinuar nunca, que não gosto disso. Estou mesmo é a afirmar que tresandas a mijo que embaça.
SÓCRATES: Diz-me Platão, porque pensas que não tomar banho tem algo que ver com o facto de eu cheirar a mijo?
PLATÃO: Então Sócrates, vamos lá ver, tem tudo. Se não te lavas, cheiras mal.
SÓCRATES: Aí reside o teu erro, caro Platão, é que o meu odor a urina não advém do facto da minha pessoa não tomar banho, mas porque tenho falta de vista e sempre que vou efectuar o chichi descuido-me nas chinelas e na toga.
PLATÃO: Entendo Sócrates, mas o facto é que com ou sem urina continuas a feder.
SÓCRATES: Pois bem. E eu pergunto-te Platão, que é isso de cheirar mal? Não se trata o olfacto apenas de um mero sentido que usamos para percepcionar a realidade?
PLATÃO: Sim, pode ser entendido como tal.
SÓCRATES: Então admites Platão, que caso fosses privado desse sentido não poderias afirmar levianamente acerca do meu mau odor corporal, certo?
PLATÃO: É factual, Sócrates. Mas não só cheiras mal como és feio.
SÓCRATES: Platão, Platão, Platão. Poderias tu fazer essa afirmação acerca da fealdade do meu semblante se fosses porventura ceguinho das duas vistas?
PLATÃO: Decerto que não, pelo menos no imediato. Mas se tocasse com as mãos na tua cara rapidamente constataria que esta parece um menir.
SÓCRATES: E se fosses maneta dos dois braços, Platão, achas que conseguirias apalpar a minha aparência física usando os cotos?
PLATÃO: Decerto que não.
SÓCRATES: Então admites, que caso fosses cego, surdo, mudo e maneta de ambos os braços poderias afirmar que eu era um sujeito bonito certo?
PLATÃO: Certo.
SÓCRATES: Errado. Não poderias afirmar nada porque eras mudo, meu caro.
PLATÃO: Os teus argumentos são muito bonitos Sócrates, mas estar aqui ao pé de ti, uma pessoa de grande gabarito no seio da filosofia, quando cheiras nitidamente a mijo é quase tortura.
SÓCRATES: Voltas a insistir nisso, Platão, que chatice! Não me ouviste já dizer que a filosofia é um treino de morrer e de estar morto?
PLATÃO: Ouvi pois, Sócrates. Mais vezes do que desejaria.
SÓCRATES: E estar morto não inclui pois tornar-se um cadáver fedorento?
PLATÃO: Inclui pois.
SÓCRATES: Então admites que a minha recusa em tomar banho poderá ser entendida como uma prática filosófica, uma vez que me faz cheirar a cadáver?
PLATÃO: Sem dúvida, Sócrates. És levado da breca. E ainda assim olha, tresandas.
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O Voto Inútil

Numa altura em que todos os partidos apelam ao voto útil (isto é, o voto no seu partido) o Pénis vem promover a inovadora iniciativa O Voto Inútil. O Voto Inútil é uma competição onde qualquer pessoa de nacionalidade portuguesa, com mais de 18 anos e que esteja disposta a ir às urnas, poderá transformar o seu boletim de voto em arte. Cada participante terá que desenhar pelo menos três pilas no seu boletim, tirar uma fotografia e enviar cá para o estaminé. Se está indeciso ou porventura se decidiu pela abstenção, participe nesta iniciativa e habilite-se a ganhar juízo, o que não é nada mau. Todas as fotografias poderão ser enviadas para o e-mail do blogue, aí do lado direito. O Pénis mais bonito será aqui exposto, para provar que ainda há gente que vai nas minhas parvoíces.
Tuesday, 15 September 2009
O Diário de Pau Arranjer #2

Tomar, 20 de Julho de 2008
Querido Diário, hoje que é domingo viemos almoçar a casa da minha avó. Ela preparou a segunda melhor comida do mundo, jaquinzinhos com arroz de tomate. Gosto muito de jaquinzinhos. A minha irmã, aquela vaca, diz que é comida de pedófilos, porque se comem os peixes na juventude. Se eu contasse aos meus pais que ela também foi comida na juventude, quando perdeu a virgindade cinco anos antes da data que eles pensam e com o meu primo Rui que é estrábico, já não falava assim. Mas os rancores não nos levam a lado nenhum. Como dizia, gosto de jaquinzinhos. Claro, não gosto tanto de jaquinzinhos como de salsicha com ovo e batata frita, mas não é um mau prato. A minha avó diz que no tempo dela era uma sardinha para três, o chamado ménage à quatre salazarista - Deus, Pátria, Família e Fomeca. Para almoçar, vieram também o meu tio Cândido e a tia Brunilde. O tio Cândido é camionista, e ensinou-me a arte da boa sande de coirato. A tia Brunilde é costureira, e nunca me ensinou merda nenhuma. É vaca, e a minha irmã sai a ela. Se há coisa que o tio Cândido aprecia, querido Diário, é Martini. Eu e ele, ao almoço, bebemos meio litro cada. Fiquei de tal maneira embriagado que me transmorfei sem querer. Finalmente a minha avó percebeu a razão pela qual eu usava aquela bracelete do tamanho do relógio do Batatinha. No final, quando eram horas de ir para casa, o meu pai anunciou que estava bêbado e vomitou o tapete do hall. Como nem eu nem a minha mãe temos a carta, chamei o meu zorde. Sei o que estás a pensar, querido Diário, mas nunca iria com a vaca da minha irmã e o namorado dela. Prefiro chupar pevides a isso.
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Monday, 14 September 2009
Sunday, 13 September 2009
Thursday, 10 September 2009
Manual de Grosseria e Maus Modos #1
As 12 Regras Principais de Grosseria à Mesa

por Lúcio Prepúcio

Existem algumas regras gerais de javardice que devemos cumprir de forma sensata e equilibrada:
1 - Deve comer sempre de boca aberta, fazendo ruídos estranhos (como "renhó" e "shflac") e preferencialmente enchendo-a até à saída. Uma imagem a reter para esta prática é Cavaco Silva mastigando alarvemente um pacote inteiro de batatas fritas Pála-Pála;
2 - Parte-se sempre o pão com a faca e/ou com os dentes. Se nenhum deles funcionar, um daqueles golpes com que Van Damme parte os tijolos no filme Bloodsport: Força Destruidora deve funcionar. O pão deve ser alentejano e de preferência estar duro e com bolor, para quando lhe fizer um daqueles golpes vandamescos os seus amigos possam verificar que está ao alcance de qualquer idiota partir o pulso;
3 - Os cotovelos devem estar sempre pousados na mesa, podendo inclusive serem usados para lhe dar valentes mocadas. Se não estiverem pousados na mesa, a única desculpa que você tem é ser duplamente maneta e estar a segurar na perna de frango com os cotos;
4 - Quando está a ser servido de algo, deve ser o mais que possível chico-esperto para com o empregado, e caso este evidencie sintomas de não ter completado a escolaridade obrigatória, deve gritar-lhe a plenos pulmões: "Romeiro, romeiro, quem és tu!?" só para judiar com o sujeito;
5 - Deve emitir sempre opiniões sobre a comida, especialmente depois de ser servido e já ter pago. Se opinar antes da comida vir, o mais provável é que ela venha com um famoso aditivo salival;
6 - Sempre que as circunstâncias assim o justifiquem, deve apanhar um guardanapo que caia no chão, enfiá-lo no bolso para se mais tarde precisar de se assoar;
7 - Deve deixar restos no prato, principalmente os ossos da galinha e as espinhas do peixe. Se não gosta de deixar, meta no bolso e alimente um cão vadio mais tarde;
8 - O pão deve ser sempre molhado nos molhos, no café, em poças de água e óleo de fritar com dezoito semanas;
9 - Quando terminar de comer, aproveite para lamber o prato e atirá-lo como um disco para a prateleira das bebidas brancas;
10 - Encha sempre o prato e coloque mesmo alguma comida ao lado, como ornamento. Caso tenha vontade de repetir, mande vir a comida num balde. Lembre-se que você é uma grande besta;
11 - Nunca deve tirar a comida da travessa com o seu próprio talher. Deve antes fazê-lo usando as mãos ou um par de canetas Bic dispostas como pauzinhos chineses;
12 - Nas ocasiões em que pretende beber, principalmente vinho tinto, aproveite a borra e esfregue-a na borda do copo com os lábios. Assim garante que nenhum outro javardo lhe vai tocar.
(Imagem)
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Evanechência
Dois amigos assistem a um concerto em que a média de idades na primeira fila é o dobro de cinco:
- Que merda de banda é esta?
- É Vanessance.
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O Diário de Pau Arranjer #1

Peniche, 11 de Julho de 2008
Querido Diário, hoje fui à praia com os meus pais. Foi divertido. Passámos junto a um daqueles bazares que vendem brinquedos de praia e pedi uma prancha de bodibórde do Bob Esponja ao meu pai, mas ele não comprou. Disse que aos 28 anos já não tenho idade para isso. Apesar de tudo, têm sido umas boas férias. Estivemos a passada semana na pousada da Inatel na Foz do Arelho. O pequeno-almoço até estava incluído no preço, mas como este era constituído basicamente por um papo-seco duro e bolorento com paté La Piara nunca lá comemos. Agora viemos acampar em Peniche. A minha irmã, que tem menos três anos que eu e casou o Verão passado, ainda me julga infantil. Um pensamento algo injusto para com a minha pessoa, e baseado apenas no facto de no casamento dela eu ter andado a saltar à corda todo nu no meio dos convidados, após despejar na goela um litro de Vat 69. Já pensa que é melhor do que eu, aquela vaca.
Mas como te dizia Diário, hoje fui à praia. Cavei um buraco dos grandes na areia com uma pequena pá de plástico. Depois meti-me lá dentro e pedi ao meu pai que me tapasse com areia. Ele lá tapou até ao pescoço, mas depois foi comprar um Perna de Pau que deixou derreter aos pingos na minha testa. Quem acabou por me safar deste berbicacho foi a minha mãe, que em vez do Perna de Pau me espetou com quatro litros de Piz Buin na face. Tenho ainda algumas dúvidas quanto aos bronzeadores. Gostava de ser moreno mas como tenho a pele muito branca a minha mãe põe-me sempre um protector de factor elevado. A Kimberly, como é pobre e não tem dinheiro para estoirar cinco euros num bronzeador, diz que põe Coca-Cola. Não sei se isto resulta ou não, mas não me apetece experimentar. Agora querido Diário, vou terminar este texto pois a minha mãe está aqui a dar-me com uma baguete de pão na cabeça porque já são horas de ir almoçar. Vamos comer lulas grelhadas com molho de manteiga. Entretanto vou tentar descobrir porque escrevi a palavra diário com maiúscula. Olha, agora não escrevi.
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Wednesday, 9 September 2009
Tuesday, 8 September 2009
Beat'em Up
O Law do Tekken foi para padeiro. Agora faz pão de Law.
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Sírio que Portugal acolheu quer voltar para Guantánamo
LOCAL NÃO IDENTIFICADO/RC - Um dos cidadãos de nacionalidade síria que Portugal recebeu de Guantánamo já veio a público disponibilizar-se para voltar à tortura só para não ter de assistir ao programa Sic ao Vivo. "Aticem-me os cães arranquem-me unhas e dentes, dêem-me chibatadas - agora por favor meus amigos, não me obriguem a ouvir novamente aquela versão do 'Nós Pimba' cantada pelo Nuno Graciano" disse o ex-preso em lágrimas de sangue. Não obstante, o seu companheiro de tortura Abdul Aziz Al-Guidar não aguentou também a pressão de ver as repetições de Camilo e Filho e deitou raticida no leite com cereais que comia ao pequeno-almoço. Os familiares da vítima já vieram no entanto manifestar o seu pesar, só tendo pena que Abdul não se tenha rebentado numa daquelas intermináveis bichas para entregar o IRS.
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Stallone revela: Diabetes é vilã de Rambo V
SERVIÇO DE URGÊNCIA/RC - Sylvester Stallone, actor que ficou mundialmente famoso por ter vencido Apollo Creed antes deste bater a bota no filme "Predador", prepara-se agora para lançar o quinto e último filme de John Rambo, sujeito que gosta de combater soldados que têm pouca pontaria. Desta vez Rambo vai enfrentar inimigos mais mortíferos do que birmaneses, vietnamitas ou as estradas portuguesas: "A diabetes, o reumatismo, pé de atleta e beribéri vão ser mesmo chatinhos" revelou a'O Indesmentível Stallone, enquanto mordiscava um pedaço de entrecosto grelhado. "Toda a história irá decorrer numa ala hospitalar, onde Rambo terá de fazer corridas em cadeira de rodas para escapar a uma enfermeira que tem uma verruga na cara bem parecida com a do Maxi Pereira". Entretanto, para interpretar o tema do genérico do filme foi escolhido o cantor Lou Bega, com a música "Rambo number 5".
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Monday, 7 September 2009
Sunday, 6 September 2009
Diáspora Portuguesa #4 - Soutien Testicular

Duas pessoas, um senhor e uma gaiata, estão no trabalho. A gaiata, na casa dos 30, encontra um soutien e entrega-o ao seu colega do sexo masculino.
«Isto na dá pá minha velha, tem as mamas muita grandes pá», responde o senhor.
E a gaiata:
«Então meta nos sês quelhões, pós segurar»
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diaspora portuguesa
Champô
Dois amigos, um português e um brasileiro, conversam no café:
«Já provaste algum champô?» pergunta o português. O brasileiro responde.
«Pantene Pro-V».
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Olha, encolheu
Lavei o Roberto Carlos a quente. Fiquei com o Nelson Ned.
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piadolas
Saturday, 5 September 2009
Friday, 4 September 2009
C'est Menya

Não sei se é homem ou não, mas o seu nome dá para transformar em coisas. Ora veja-se:
- Semen? Ya.
E ainda:
- C'est man? Ya.
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esterqueira
Thursday, 3 September 2009
Moda Criminosa
Qual a peça de indumentária mais comum na Damaia?
- Calça de gang.
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Wednesday, 2 September 2009
Tuesday, 1 September 2009
O realizador de “A Múmia” revela: Manuela Ferreira Leite quase passou no casting
DESERTO DA MARGEM SUL/RC - Stephen Sommers, realizador de filmes que onde o calhau Brendan Fraser é protagonista, revelou a'O Indesmentível que a líder do PSD esteve para ter um papel em "A Múmia". Ferreira Leite, segundo o realizador, foi a primeira escolha para interpretar a noiva de Imhotep, Anck-su-Namun. "Estive realmente em negociações com a Manela mas os produtores queriam que a personagem usasse biquini. Aí tive que desistir da ideia. É que isto é um filme de aventuras, não de terror". Manuela Ferreira Leite, que já se viu trocada por uma boneca digital em "A Noiva Cadáver", como resposta anunciou há dias que a sua sede de campanha para as legislativas vai ser um túmulo egípcio. De salientar que membros do PSD já no passado tiveram participações no grande ecrã, mais propriamente no filme "O Padrinho" de Francis Ford Coppola, onde interpretam os citrinos que estão na fruteira da reunião de mafiosos.
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Rei Leónidas inaugura "Loja dos 300"
ESPARTA/RC - O soberano espartano, conhecido pelo seu rigor táctico e capacidade para berrar em tudo semelhantes a Jorge Jesus, veio a passada semana inaugurar a "Loja dos 300". "Pá, isto depois da batalha das Termópilas tínhamos de ter algum sítio para onde despachar as bugigangas que o Rodrigo Santoro tinha, portanto iniciarmo-nos no negócio da revenda foi aquilo que se chama ter olho para o negócio". Entretanto, Leónidas revelou ainda a' O Indesmentível alguma supresa "Eu nem sei como é que estou vivo pá, acho que foi o autor deste texto que me ressuscitou de propósito para dar esta entrevista, que convenhamos, é bastante inútil". Centenas de objectos compõem a imensa beleza da loja, entre os quais um que o escriba não reconhece e, ingenuamente, pergunta o que é. Com uma pezada na peitaça rapidamente fica a saber: "Isto é Esparta!"
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Monday, 31 August 2009
Desenvolvimento Psíquico Estúpido #2

Primeira Relação: Energia Cósmica e Terrestre
O próximo ponto que iremos abordar é a profundamente afectuosa e sustentadora relação que cada um de nós tem com três vastas entidades: a Terra, as energias cósmicas e "Este Jesus Cristo Que Vos Fala". Iremos começar por aquela que é a mais poderosa sustentação da nossa humanidade - a relação crescentemente lúdica que temos com a Terra.
A Terra viva, com o seu tempo e espaço, providencia-nos com aquilo que Soares Parnáculo define como o Jardim de Infância, o espaço que usamos para brincar e jogar à macaca com o nosso nome bordado num bibe. A Terra garante que toda a nossa experiência é destilada e simplificada, chegando a um ponto em que andar a correr todo nu numa repartição das Finanças nos parece um comportamento totalmente aceitável. A Terra providencia-nos com as estruturas afectivas que formam o jardim de infância psíquico em que vivemos, brincamos, exploramos e comemos papo-secos com manteiga. Este sustenta-se num espaço tridimensional onde podemos crescer e aprender para nos tornarmos naquilo que Chefe Mamadou chama um consciente co-criador com Deus, em que aprendemos a criar a nossa própria realidade e de onde à partida estão excluídas pessoas que dizem "foi de sem querer".
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Saturday, 29 August 2009
Piada Cinéfila
Se João Baião fizesse o remake de um filme de Sam Fuller, como se chamaria?
- Fixed Baionetes.
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piadolas
Demiurso
Diz que Deus criou o homem e a mulher. Então e pelo Carlos Castro, ninguém se responsabiliza?
Homofonias #2
Chiça penico chapéu de côco, há tempos que esta rubrica não voltava cá ao blogue. Desta vez a música é "Never Miss A Beat", dos Kaiser Chiefs. Os leitores agora sachavôr dignem-se a ouvir o tema e digam lá se a parte do refrão em que o rapazola diz "never miss a beat" não parece mesmo "neva em moçambique"?
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Friday, 28 August 2009
Perfil - Carlos Silvino

Bebida Favorita
Garoto
Viagem de Sonho
Ásia Menor
Tema Musical Favorito
Indeciso entre «Sweet Child O'Mine» e «A minha cidade (Ó Elvas)» de Paco Bandeira
Filme de Eleição
«Aniki Bóbó», «Tudo Bons Rapazes» e «Juventude em Marcha»
Leitura Que Prefere
Qualquer opúsculo
Programa de Televisão Favorito
Teletubbies
Religião
Gosta da Cientologia, porque é recente
Comida de Eleição
Miúdos ao Conhaque
Traz Sempre Consigo...
Cartão Jovem
Citação Favorita
«O melhor do mundo são as crianças»
Thursday, 27 August 2009
Desenvolvimento Psíquico Estúpido #1

A Aura
Toda a gente tem uma aura. Quem não tem olhe, que a compre. Eu também não tinha dinheiro e fiz uma vaquinha com uns amigos. A aura é uma bolha de energia espiritual, som e L. Casei Imunitass que envolve todas as pessoas e também José Lello. Através de simples técnicas e práticas, o leitor pode aprender a tornar-se mais atento à sua aura e às dos outros. À medida que explora a sua crescente capacidade de atenção o mundo torna-se algo novo, como um daqueles miúdos que o Bibi aconchegava no interior do seu kispo vermelho. Todos os dias pode descobrir, compreender e interagir mais profundamente com alguns aspectos da sua vida que não foi capaz de fazer anteriormente porque estava a dar o Benfica-Volska Poltava.
As auras são a interminável fonte da nossa saúde física, emocional, mental e espiritual. As nossas vidas e relações emergem da interacção existente entre as nossas auras e as dos outros, e das nossas auras e energias interiores de diferentes dimensões espirituais da realidade. Tanta relação pode dar a impressão de tudo isto ser um imenso regabofe, mas não. Eu pelo menos uso gel de banho nestas ocasiões.
Através do desenvolvimento da percepção da sua aura pode aprender a curar os dois maiores tipos de limitações da aura: debates quinzenais da Assembleia da República e difusão da identidade (questões limítrofes). Desenvolvimento Psíquico Estúpido providencia uma aproximação integrada para desobstruir a identidade, os quais iniciados e praticantes avançados ambos acham capazes de mudar a vida, mas não muito. Após estabelecer uma fundação segura, Desenvolvimento Psíquico Estúpido especializa-se no desenvolvimento da sua capacidade para ver auras e também as mamocas de raparigas vestidas com muita roupa no inverno. Esta faculdade, chamada clarividência por uns e indiscrição por outros, adiciona poder às capacidades curativas e de taradice, providencia um caminho de ligação com guias, anjos e o bigode de Jorge Máximo, e eventualmente adiciona capacidades e intimidade às nossas interacções diárias, às nossas relações e às nossas vidas.
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Wednesday, 26 August 2009
Um Amigo P'ra Você (Ha-Ha-Ha-Uh-Uh-Uh)

Valerá a pena contar a história de um indivíduo que falhou em tudo durante a sua vida? Tenho cá as minhas dúvidas. Aliás, neste momento pondero seriamente escrever antes sobre Rosa Cheirosa, uma bem sucedida prostituta. E daí talvez não, que a minha esposa está aqui ao lado com um facalhão em tudo idêntico ao de John Rambo encostado aos meus testículos. Pelo sim, pelo não, vou antes escrever acerca deste nobre sujeito.
Nuno Hadrianno dos Santos Malpicasuru nasceu no dia 13 de Outubro de 1976 no Bombarral, filho de mãe portuguesa, pai padeiro e tio primata. Logo dois minutos após o seu nascimento já o médico reparava que o miúdo ou descendia de uma nobre linhagem macacóide ou era familiar de Zezé Camarinha. Frequentou o Jardim de Infância "Os Catitas", onde se notabilizou no bibe amarelo pela colagem de macacos em tampos de mesa e partes de baixo de lavatórios. Aí travou também amizade com Pedro Carrasco, um sujeito que lhe viria a meter nojo pelo menos por mais quinze anos. Carrasco conta que, no período em que frequentavam o ensino básico na escola EB 2,3 de Nelo Silva e Cristiana, Hadrianno começou a evidenciar os talentos que o viriam a notabilizar por não ser nada que preste. Enquanto os colegas se entretinham a rebentar balões de água cheios de ar na cabeça de outros, já Hadrianno raspava com fulgor as calosidades do pés do seu pai com pedra-pomes e coleccionava pilhas Varta descarregadas.
Os seus pais eram feirantes, mais propriamente cantelheiros, e foi desde cedo que começou a assistir àquilo que tornava o ambiente da feira algo singular, como as brigas de ciganos com outros feirantes por um lugar, os pregos no pão com mostarda rançosa e os sujeitos que anunciavam os preços de edredons com gáudio ao megafone.
Cedo despertaram os seus talentos, é certo, mas também as rivalidades. Na escola começou a sofrer impropérios por intermédio de Baboo, outro aluno primata e hirsuto que sofria de um tipo de autismo que não incluía a memorização de listas telefónicas. Uma vez andaram os dois à briga no pátio. Hadrianno empurrou Baboo, Baboo empurrou Hadrianno, Hadrianno ripostou. Baboo tropeçou e caiu, Hadrianno fugiu. Hadriano ganhou. Um tempo mais tarde, já no oitavo ano e a precisar seriamente de barbear a testa, apaixonou-se pela primeira vez. A sortuda era Susana Vanessa, conhecida pela alcunha "bicicleta da aldeia" e pelo facto de possuir uma autêntica cordilheira de borbulhas de acne na testa que convidava cegos a uma leitura interessante e convenhamos, algo cheia de pus. Susana era uma moça verdadeiramente especial e Hadrianno reparara. Pertencia-lhe ainda o recorde de mais sujeitos aviados no intervalo das dez e quinze: cinco. O Mário Reis atrás do pavilhão de Educação Física, o Carlos Jorge no anfiteatro, o Simão nas escadas do refeitório, o Marcelo atrás do Bloco A e o Pedro Cebolo no balneário.
Mas o amor platónico de Hadrianno nunca achou correspondência nas necessidades puramente carnais de Susana, que tinha preferência por rapazes praticantes de motocrosse que vestissem calças de marca Resina. Certo dia, Hadrianno participou no corta-mato escolar para impressionar Susana, mas ficou em quadragésimo-sétimo lugar, e ela só aviou os primeiros quarenta e seis. Tentou ainda, de forma vã, impressioná-la com a sua participação no campeonato distrital de Jogo do 24, mas só ganhou uma t-shirt do Chester Cheetah e nada mais. No meio de tudo isto, Hadrianno recuperou a custo. Porque se não bastassem as desilusões amorosas, ainda teve de partilhar durante três anos na aula de Físico-Químicas a carteira com o Simão, um sportinguista que tinha um dossier repleto de imagens do seu futebolista favorito, César Prates.
Enfim, foi só no décimo-primeiro, um ano depois de se ter estreado no lançamento da mini, que se apaixonou verdadeiramente por uma catraia que não era badalhoca. Passou-se isto uma vez à porta do café "O Pipas", onde ia toda a garotada da escola fazer introdução ao alcoolismo. Ali a viu. Após ter emborcado meia garrafa de Pisang Ambon e três shot's de "pastel de nata" lá estava ela, a mulher da sua vida, vomitando com grande categoria sobre as calças Sicko 19 que vestia algo que possuía um fino aroma a canela e a bílis. Nunca mais conseguiu esquecer aquele cheiro, mas se calhar devia.
Como todos os seus colegas, ou pelo menos metade, Hadrianno foi numa viagem de finalistas. Mas como não se lembra de nada que tenha acontecido nessa semana, eu também não vou escrever sobre isso. E foi para a universidade, estudar desemprego. Licenciou-se com sucesso em provas de mini preta, ginja e shot's, foi praxado por tipos com dez matrículas e metade desse valor em neurónios. Depois disso, bem, as oportunidades apareceram como por magia. Estava um domingo na feira de Santana com os seus progenitores a anunciar bugigangas quando avistou numa banca de cassetes pimba aqueles que viriam a ser os seus mentores e colegas: Ediberto Lima e Dj Pantaleão. Ediberto passou pela sua banca e ali viu um objecto que o maravilhou, um corta-unhas com a bandeira brasileira. Mas outra coisa lhe chamou a atenção, Hadrianno. Nunca Ediberto tinha visto um tipo tão peludo na sua vida, tirando Tony Ramos. E percebeu que era disto que precisava para o seu projecto televisivo depois de "Muita Lôco":
"Aí meu chapa, cê já feiz televisão?"
Hadrianno não sabia bem o que responder. Talvez a verdade fosse o ideal.
"Népia bacano. Mas porquê?"
"Preciso de um cara como ócê pa pôr numa jaula no meu programa e dar porrada em quem lá aparecer cantando mal. Pago bem. Dez contos por mêis".
"Tá".
Hadrianno aceitou o convite. Aliás, na sua condição não podia ter feito outra coisa - era bom demais para recusar. Estar três horas aos sábados à noite a dançar dentro de uma jaula ao som de música pimba era o sonho de qualquer descendente de cantelheiro. Ali conheceu a mulher com quem viria a casar, Maria Grovetka, uma emigrante de leste que usava as cuecas pelo umbigo. Emídio Rangel foi seu padrinho de casamento, e deu-lhe um calduço nesse dia. Teve dois filhos, nenhum deles um prodígio em beleza física. Viria a falecer em Maio de 2005, vítima de programa do Goucha. Não ressuscitou, o que já de si foi bom.
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Tuesday, 25 August 2009
Pessoas que dizem “fazer piscinas” em vez de natação criam imunidade ao programa Novas Oportunidades
IEFP/RC - O programa "Novas Oportunidades", famoso por dar a futebolistas que falam na terceira pessoa as mesmas qualificações que as de um tipo que estudou mais dez anos, começa a tornar-se frágil perante o sistema imunitário de certos indivíduos. Quem o revela é o virologista Vitorino Xanadú a' O Indesmentível, que as pessoas que dizem "fazer piscinas" e "adominais" criaram imunidade ao programa lançado pelo Governo: "De facto, estes sujeitos parecem estar a fabricar um tipo nunca antes visto de linfócitos. Possivelmente devido à sua quase nula capacidade para o cálculo mental e generalizada dormência de neurónios, dá a ideia de que estão a criar uns super-neurónios com um comportamento género Obélix, que dão bordoada em tudo o que aparece". Segundo o virologista, estes podem servir para o tratamento de diversas doenças, como a SIDA, Sífilis, e o tema "Sonhador, Sonhador" de Tony Carreira.
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"Transformistas": Filipe La Féria prepara encenação do blockbuster "Transformers"
POLITEAMA/RC - Após produzir os musicais "Jesus Cristo Superstar" e "My Fair Lady" onde um dos actores era heterossexual, La Féria quer repetir a proeza com o anunciado "Transformistas". A peça explora o conflito entre Autobots e Decepticons, aqui designados "Autobotas" e "Decepticonas", mas distancia-se do original em certos pontos. "É uma história de amor entre uma Yamaha DT e um tractor Massey Ferguson, que a meio de uma operação stop decidem transformar-se em robôs com uma vontade maluca de pôr maquilhagem exagerada e ir ao Trumps". Quanto aos actores, La Féria anunciou na sua voz rouca ter já dois nomes em mente. "Para interpretar a Yamaha DT, a Megatrona, escolhi o João Baião. Já lhe telefonei ontem, mas como ele estava sentado num touro mecânico não percebi o que ele disse. Para a Optimus Prima, o tractor, quero o Malato. Mas ainda não falei com ele, pois tem estado ocupado a enfardar torresmos com o Fernando Mendes nas últimas semanas".
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Saturday, 22 August 2009
Wednesday, 19 August 2009
Gripe Canina
Quando o meu cão se constipou, tratei-o com Peddie Gripal.
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piadolas sequíssimas
Tuesday, 18 August 2009
Piadolly
Quando um humorista faz clonagem de uma piada de outro.
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piadolas sequíssimas
Trunks mete Son Goten em tribunal porque lhe ficou com um rim na fusão
SEGUNDO CALHAU A CONTAR DE NAMEK/RC - O filho de Vegeta e Bulma, conhecido pelo seu cabelo extravagante ao estilo de Vanda Stuart, despoletou a polémica esta semana no seio do Dragon Ball: "A verdade é que o Son Goten me ficou com um rim na fusão. E além de nunca me ter dito nada, ainda o vendeu para comprar um Ford Fiesta dos novos". Trunks revelou ainda a'O Indesmentível quem pretende que o defenda no caso: "Caso o João Nabais ainda tenha bigode, vou por ele. Senão vou ter de falar com o José Maria Martins. Se isso falhar, bem, vou ter que andar um ano à procura da porcaria das bolas de cristal e peço um rim novo ao dragão. Ou então faço como aquele porco na primeira série e peço umas cuequinhas".
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Jerónimo de Sousa recusa aconselhar Pinóquio mas admite diálogo com Popeye
ALUNOS DE APOLO/RC - O líder do PCP, também professor de sapateado estalinista nos Alunos de Apolo, veio esta segunda-feira comentar os rumores que dão como certa uma parceria dos comunistas com o PS de Sócrates: "Nunca o meu partido vai ser compincha do Pinóquio. É um sujeito sem ética, que à primeira oportunidade despachou o pai para Bruxelas. Não se pode confiar em gente a quem cresce o ego quando mente." No entanto, o secretário-geral do Partido Comunista abriu as portas ao diálogo com Popeye: "Teria todo o gosto em discutir ideias com ele. É um tipo que come hortaliças, e como tal poderia facilmente fazer parte d'Os Verdes ou assar sardinhas na Festa do Avante. Depois, tem uma companheira magrinha que não se importará de passar fomeca quando os proletários de todos os países se unirem." Entretanto José Sócrates, que escolheu como sede de campanha o estômago de uma baleia, recusou comentar se se iria tornar ou não um menino de verdade, pois Carlos Silvino estava por perto.
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Saturday, 15 August 2009
Um Lobisomem Moçambicano em Alpiarça

Passavam três minutos das seis da tarde do dia vinte e dois de Fevereiro de 1994 quando, à porta do café O Micas em Alpiarça, parou uma Toyota Hiace de caixa aberta. O condutor - na casa dos cinquenta - apressou-se em abrir o taipal traseiro e levantar o oleado, de onde surgiram dois indivíduos. Eram eles Carlos Alberto e Pedro, dois moçambicanos respectivamente de vinte e cinco e vinte e sete anos. O sujeito que conduzia a carrinha, pelo farto bigode, camisa Sacoor de rato nas costas e “lápes” atrás da orelha trata-se claramente de um comum empreiteiro ribatejano. Naquele dia levou a Toyota e não o jipe SsangYong porque o seu filho beto o estampou contra o muro do quintal do vizinho. Coisas que sucedem. Mas sim, os rapazes.
Carlos e Pedro eram dois tipos que tinham crescido a ouvir João Maria Tudela cantar que o seu país era “alegre como a chita”. Já Portugal, onde agora residem e trabalham como trolhas, não tem os passeios muito limpos. Este país por que abandonaram a pátria cantada por Tudela é um oásis de cocó nos passeios, estradas mal alcatroadas e cantores que plagiam como quem tira catotas. Apesar disso, não se arrependem.
Ao final de um dia de trabalho, nada melhor que repôr os líquidos perdidos a acartar baldes de massa. Como tal, despediram-se do senhor Barroso (o verdadeiro nome do empreiteiro) e entraram n’O Micas. Procuraram uma mesa, sentaram-se e começaram imediatamente de um pires a petiscar tremoços, um marisco muito famoso lá na terra. Por trás do balcão, o senhor Raposo, dono d’O Micas, limpa os copos com o mesmo pano com que esfregou os azulejos bolorentos da casa de banho. Olha-os com ar de desdém.
"Eram duas minis ó chefe", pediu Carlos, enquanto limpava o suor da testa com o indicador e o guardava na virilha direita.
"Não temos", respondeu ríspidamente o senhor Raposo, que de semblante carregado, enchia agora com as próprias mãos os pires de tremoços.
Algo não estava bem. Pela primeira vez em muitos anos, Carlos sentia-se ostracizado. O senhor Raposo, sabia, fora combatente na Guerra Colonial. Raposo não simpatizava com a sua cor de pele, era isso. Mal estes pensamentos vieram à cabeça de Carlos, logo ele convenceu Pedro a levantar-se e sair dali com ele. O senhor Raposo não desaprovou, mas deixou o conselho:
"Vão pela estrada que há por aí muito bicho matreiro no mato!"
E eles lá foram, já anoitecia. Andaram muito tempo, até o manto nocturno cair sobre os seus corpos e chegar a um ponto em que não se viam um ao outro. Porque aquelas estradas também não têm propriamente boa iluminação. Não tardou muito até que ignorassem o conselho de Raposo, e saíssem da estrada. Foram ter a uma vinha.
"A falta que nos fazia agora um Petromax pá!" - admitiu Pedro a Carlos, que sorriu sem perceber muito bem onde o colega estava. De repente um barulho: Passos. Pedro Passos Coelho? Não, seria algo muito maior. Movia-se rápido entre os corredores. Obikwelu? Não, não era o Francis de certeza, que ele tem mais que fazer do que andar a correr numa vinha à noite. Até que, de repente, Pedro gritou. Um grito animalesco e estridente, um grito de horror, de quem viu o Carlos Castro nu. Algo se movimentava agora na sua direcção.
Carlos começou a correr, a respiração ofegante, o mato denso, as havaianas a caírem-lhe dos pés. Mil imagens lhe vieram à cabeça: as trombas da Paula Bobone, as trombas da Paula Bobone, as trombas… E quando parou, sob a luz da Lua Cheia, um bicho que se não era um lobo grande como os cornos vou ali e já venho. Carlos ali permaneceu de boca aberta, como quem come um Cornetto com gulodice. E o lobo olhou para ele com aqueles olhos grandes de quem não sei o quê. E Carlos olhou para o lobo e viu que ele tinha uma pila pequenina. E o lobo não gostou e deu-lhe uma trolitada na tromba. E fugiu.
Dia seguinte, pela manhã, Carlos sentiu o sol bater-lhe na cara. Sentiu um cheiro que imediatamente reconheceu, a ala hospitalar. E ouviu o tossir tabagista de uma velhota. Uma velhota que tinha algália e catarro como nunca visto. Uma velhota que a dada altura se engasgou com a sopa e ficou com um fio de caldo verde pendurado numa narina. A enfermeira chegou, e sem reparar na velhota e na sua narina, deu as boas novas a Carlos:
"O senhor parece que foi vítima do Chupa-Meloas" disse, enquanto abria ainda mais as persianas da janela.
"O Chupa-Meloas?" respondeu Carlos, tentando evitar o sol nos olhos.
"Sim, é um bicho lá de Alpiarça, que ataca as frutas a meio da noite antes de ir para a discoteca".
"E o meu amigo, sabe alguma coisa dele?"
"O seu amigo está bem, bateu a bota. O Chupa-Meloas pensou que a cabeça dele era uma fruta e deu-lhe umas trincas".
Meu Deus, o Pedro morrera! E ainda bem! - pensou Carlos - que ele era chato como a potassa e cheirava que nem um burro a transpiração .
"Que hospital é este?" perguntou Carlos, evitando falar da velha ao seu lado.
"Santarém, meu menino. Terra de toiros, vinho, gente rude e que atura o Moita Flores".
O coração de Carlos encheu-se de satisfação - estava num sítio onde não tinha nada a temer, pois a cada esquina se encontram ora indivíduos cheios de bazófia ora agentes de autoridade ébrios.
Anoitecera. A velhota dormia agora o sono dos anjos, após jantar filetes com arroz. Ou dormia ou estava morta, uma das duas. Carlos acordou sobressaltado, com o corpo a ferver. Os olhos pareciam querer saltar-lhe da cara. Todo o corpo lhe começava a queimar, as mãos, pés, pernas, braços, até que cada poro era um vulcão e Carlos começou a gritar a plenos pulmões, sem nunca incomodar a velhota. Atirou-se para o chão, rasgou as roupas, e debaixo delas, do peito ao pescoço, uma enorme cicatriz deixada pelo monstro que o atacara.
E assim começou, sob a luz da Lua Cheia, a transformar-se. Cresceram-lhe as mãos, as unhas das mãos; os pés, as unhas dos pés; os ombros alargaram, os braços alongaram, a pila encolheu. O seu queixo ficava agora ainda mais saliente - querendo lembrar o da Ana Gomes - e cresceram-lhe uns dentes que bem precisava, pois já só tinha dez. Mas sobretudo, cresceram-lhe pêlos por tudo quanto era sítio. Por momentos, o narrador fica na dúvida se está a relatar a transformação de um indivíduo num lobisomem ou em Tony Ramos. Na noite de breu ergueu-se, mas não a voar. Dirigiu-se à recepção e telefonaram-lhe para a Scaltaxis, partindo minutos depois para Alpiarça com o senhor Jacinto Barbosa. Embora experiente nestas lides, nunca Jacinto tivera oportunidade de transportar um lobisomem:
"Já transportei muita gente, caramba. Até a Leopoldina e a Popota, que me fizeram um lap-dance porque não traziam dinheiro para pagar o serviço. Não gosto muito de avestruz, mas como dizia o meu pai, o que vier marcha".
Chegaram à porta d' O Micas. Eram dez horas, sensivelmente. Lá dentro ouvia-se um bonito ritmo reggaeton e cá fora três putos vestidos com calça, camisa e sapato Timberland bebiam shot's de Gold Strike. O senhor Jacinto disse que não era preciso Carlos pagar, tal era a singularidade do passageiro. Então partiu, buzinou e Carlos uivou em modo de resposta. E Carlos irrompeu pela porta do café. Ao balcão, o senhor Raposo - no seu habitual tom ameaçador -mascava um palito por debaixo do seu hirsuto bigode. Tensão por todo o estabelecimento, um silêncio de morte. De repente, o senhor Raposo arrota. Jantara iscas. Previsível.
Carlos aproxima-se, passo a passo, do balcão. O senhor Raposo não se move, e olha-o nos olhos ao mesmo tempo que masca o palito e coça a virilha direita com a unhaca do mindinho.
"Quero uma mini ó sachavôr!" diz Carlos, numa dicção demasiado perceptível quer vindo de um trolha, quanto mais de um lobisomem. E o senhor Raposo, pegando o pano de limpar os copos do balcão e deitando-o no ombro direito, reafirma:
"Não temos minis, já te disse pá. Mini é bebida de pandeleiro. Aqui no Ribatejo a gente bebe é tintol".
Carlos fica estupefacto.
"Então mas você não é racista?"
"Racista, eu? Tá maluco o bicho. Não digo que nunca tenha tido chatices com pretos, que tive. Olha, uma vez andei à porrada com um porque ele pôs uma mina num sítio onde um rapaz depois rebentou uma perna. Não que eu tivesse interessado na perna, mas tinha guardada a minha colecção de cromos do Eusébio na bota do gajo e foi tudo pró galheiro"
Carlos, no meio daquele semblante canídeo, sorriu. E babou-se um pouco.
"Olha lá rapaz, tu queres emprego?" disse o senhor Raposo "tens é de cortar essa guedelha que pareces um lobzóméne".
Carlos sorriu de novo perante tamanha generosidade.
"Pode ser senhor Raposo. E já agora, um tintol".
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estórias do catano,
humor
Wednesday, 12 August 2009
Tuesday, 11 August 2009
Clássico Absoluto
«E ainda és obrigado a esconder a tua cara que, há que dizer com frontalidade, não é nada de especial. Aliás, és possuidor de umas trombas que vou-te contar.»
«Ouve lá ó Bastos, não estou a gostar da maneira como estás a vilipendiar a minha face»
Ramírez de "Highlander - Duelo Imortal" assina pelo Benfica
ÁGUIA VITÓRIA/RC - Não satisfeito com o facto de ter no plantel três jogadores chamados Javier, Jorge Jesus pediu a Rui Costa que contratasse outro com nome de atum. Ramírez, de seu nome completo Juan Sánchez Villa-Lobos Ramírez, já foi internacional mil e duzentas vezes pela Escócia e joga onde for preciso desde que lhe dêem uma espada. "Se não for uma espada pode ser uma katana. Ou um machete. Ou um sabre japonês. Assim sempre que me aborrecer com o penteado do Jorge Jesus posso cometer seppuku." Entretanto Jorge Jesus, enquanto mascava uma pastilha Gorila já de três dias, explicou a'O Indesmentível a contratação do internacional escocês. "O Ramírez era um jogador que eu já apreciava antes de ele andar em passeatas com o Connor MacLeod. É um jogador útil para marcar colegas que gostam de distribuir pancada como rebuçados, género Tonel e Bruno Alves. Para compensar a saída do Bynia é ideal, pois volta e meia lembra-se e decapita um adversário."
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Andróide de “Exterminador Implacável 2” desempregado desde Maio
HASTA LA VISTA BABY/RC - O andróide metamórfico do filme de James Cameron, T-1000, foi dispensado em Maio da fábrica da Skynet em Bajouca. "Essa espécie de Lawrence Limburger do Teixeira dos Santos bem pode vir para a televisão dizer que a crise acabou e o caraças, mas eu sei é que a experiência de tentar limpar o sarampo ao John Connor não me serve de nada. Agora nem no Fabio Lucci me dão emprego". Sem trabalhar há quase três meses, o seu único sustento tem sido a tonelada de ração ganha com a pega de um touro na picaria da Feira da Agricultura de Santarém. "Partilhei aquilo com o Bastinhas, que estava farto de comer Pedigree Pal ao pequeno-almoço. Já comentei com ele, aquilo com leite quase que passa por Estrelitas". E é com mágoa que revela a'O Indesmentível a atitude dos seus antigos patrões para consigo. "Nem um telefonema, uma palmadinha nas costas, um mil-folhas do dia anterior, nada. Até com nitrogénio líquido já levei nas trombas, mas eles não dão valor ao esforço que um tipo faz. Querem é o deles".
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Ontem vi isto de novo

Um sacana de um filme este, que levanta a moral a um tipo. Um GRANDE Bill Murray, como já nos habituou, e uma lindíssima Andie MacDowell, das mulheres mais giras de sempre no cinema.
Monday, 10 August 2009
Sunday, 9 August 2009
Eulogy

«the way to create art is to burn and destroy
ordinary concepts and to substitute them
with new truths that run down from the top of
the head
and out from the heart»
Charles Bukowski
Saturday, 8 August 2009
O Excremento
O excremento deitado no chão por limpar
No estúdio da dois a importunar
A esfregona no balde espremeu três vezes
Espremeu três vezes e a pingar,
E disse «Quem é que me quer limpar,
Deste soalho de tom horrendo,
Deste solo negro e imundo?»
E a dona Helena disse, varrendo:
«Alevanta-te cabrão!»
«De quem são estas tiras de pano?
De quem é este cabo ou cano?»
Disse o excremento, e fedeu três vezes,
Três vezes fedeu imundo e insano,
«Quem limpa melhor que um ucraniano,
E armado anda de esfregona e avental
E a água escorre com determinação?»
E a dona Helena varreu, e disse:
«Alevanta-te cabrão!»
Três vezes de vassoura nas mãos se ergueu
Três vezes de esfregona nas mãos volveu,
E disse no fim de limpar três vezes:
«Aqui de esfregona sou aquilo que mais temes:
Sou quem dá beijocas e faz higienes;
E olha excremento, tu não me impressionas
Dou-te com este cabo e vais parar ao chão
E após uma pancada em erógena zona,
Alevanta-te cabrão!»
versão original da declamada pelo Luís Filipe Borges no 5 Para a Meia-Noite, ligeiramente modificada, aqui.
Friday, 7 August 2009
Wednesday, 5 August 2009
Sócrates pede Sócrates em casamento...e aceita
BOLO DE NOIVA/RC - O primeiro-ministro português, respeitável narcisista e admirador do slogan do leite Matinal "se eu não gostar de mim, quem gostará?", admitiu ter casamento marcado consigo próprio para antes das eleições legislativas. "Sim, é verdade, estou noivo. Já deviam ter reparado que o amor andava no ar, não?". Os piropos que vinha lançando à sua pessoa nos últimos tempos, segundo nos confidenciou, deram resultado. "Sabe, eu já me achava fofinho quando disse que era um animal feroz, mas depois veio o resto: os jantares românticos, as flores, o amor-próprio. Há dias reparei ao espelho que possuo mamilos magníficos. Só não pratico o auto-coito porque quero esperar pelas núpcias. No fundo sou, como o Tony de Matos, um romântico". Sócrates, entretanto, comentou a'O Indesmentível o suposto convite a Joana Amaral Dias. "Convidei a Joana, sim, mas para o meu casamento. Tinha de lá ter uma gaja assim, nem que fosse para compensar a masculinidade da Ana Gomes."
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Sindicato dos Arrumadores de Automóveis repudia naturalização de Liédson
AULAS DE EQUITAÇÃO/RC - O presidente do Sindicato, a meio de um exercício que incluía a rotação da revista Cais no sentido dos ponteiros do relógio, manifestou o seu desagrado com a naturalização do sportinguista. "Convocar um arrumador brasileiro quando temos cá valores reais como o Cajó, o Fanan ou o Gica é triste." E alerta para o perigo da descaracterização da selecção. "O arrumador e carocho portugueses são únicos méne, é um sector onde há talento. O Liédson consegue dar chutos? Chutos mando eu desde os quinze anos pá. Talento é fazer aqui o que o Cajó ou o Fanan fazem, tirar o braço pelo picotado ou cantar as primeiras duas estrofes do 'Cavalo à Solta' do Fernando Tordo sem pedir moedinha". Entretanto, o dirigente sindical apontou uma alternativa à naturalização de estrangeiros. "É apostar na juventude méne, na formação dos jovens. Ensiná-los a fazer uma limonada, partilhar seringas, saber para que serve um garrote; enfim, preparar um caldo com brio."
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