Thursday, 27 August 2009
Wednesday, 26 August 2009
Um Amigo P'ra Você (Ha-Ha-Ha-Uh-Uh-Uh)

Valerá a pena contar a história de um indivíduo que falhou em tudo durante a sua vida? Tenho cá as minhas dúvidas. Aliás, neste momento pondero seriamente escrever antes sobre Rosa Cheirosa, uma bem sucedida prostituta. E daí talvez não, que a minha esposa está aqui ao lado com um facalhão em tudo idêntico ao de John Rambo encostado aos meus testículos. Pelo sim, pelo não, vou antes escrever acerca deste nobre sujeito.
Nuno Hadrianno dos Santos Malpicasuru nasceu no dia 13 de Outubro de 1976 no Bombarral, filho de mãe portuguesa, pai padeiro e tio primata. Logo dois minutos após o seu nascimento já o médico reparava que o miúdo ou descendia de uma nobre linhagem macacóide ou era familiar de Zezé Camarinha. Frequentou o Jardim de Infância "Os Catitas", onde se notabilizou no bibe amarelo pela colagem de macacos em tampos de mesa e partes de baixo de lavatórios. Aí travou também amizade com Pedro Carrasco, um sujeito que lhe viria a meter nojo pelo menos por mais quinze anos. Carrasco conta que, no período em que frequentavam o ensino básico na escola EB 2,3 de Nelo Silva e Cristiana, Hadrianno começou a evidenciar os talentos que o viriam a notabilizar por não ser nada que preste. Enquanto os colegas se entretinham a rebentar balões de água cheios de ar na cabeça de outros, já Hadrianno raspava com fulgor as calosidades do pés do seu pai com pedra-pomes e coleccionava pilhas Varta descarregadas.
Os seus pais eram feirantes, mais propriamente cantelheiros, e foi desde cedo que começou a assistir àquilo que tornava o ambiente da feira algo singular, como as brigas de ciganos com outros feirantes por um lugar, os pregos no pão com mostarda rançosa e os sujeitos que anunciavam os preços de edredons com gáudio ao megafone.
Cedo despertaram os seus talentos, é certo, mas também as rivalidades. Na escola começou a sofrer impropérios por intermédio de Baboo, outro aluno primata e hirsuto que sofria de um tipo de autismo que não incluía a memorização de listas telefónicas. Uma vez andaram os dois à briga no pátio. Hadrianno empurrou Baboo, Baboo empurrou Hadrianno, Hadrianno ripostou. Baboo tropeçou e caiu, Hadrianno fugiu. Hadriano ganhou. Um tempo mais tarde, já no oitavo ano e a precisar seriamente de barbear a testa, apaixonou-se pela primeira vez. A sortuda era Susana Vanessa, conhecida pela alcunha "bicicleta da aldeia" e pelo facto de possuir uma autêntica cordilheira de borbulhas de acne na testa que convidava cegos a uma leitura interessante e convenhamos, algo cheia de pus. Susana era uma moça verdadeiramente especial e Hadrianno reparara. Pertencia-lhe ainda o recorde de mais sujeitos aviados no intervalo das dez e quinze: cinco. O Mário Reis atrás do pavilhão de Educação Física, o Carlos Jorge no anfiteatro, o Simão nas escadas do refeitório, o Marcelo atrás do Bloco A e o Pedro Cebolo no balneário.
Mas o amor platónico de Hadrianno nunca achou correspondência nas necessidades puramente carnais de Susana, que tinha preferência por rapazes praticantes de motocrosse que vestissem calças de marca Resina. Certo dia, Hadrianno participou no corta-mato escolar para impressionar Susana, mas ficou em quadragésimo-sétimo lugar, e ela só aviou os primeiros quarenta e seis. Tentou ainda, de forma vã, impressioná-la com a sua participação no campeonato distrital de Jogo do 24, mas só ganhou uma t-shirt do Chester Cheetah e nada mais. No meio de tudo isto, Hadrianno recuperou a custo. Porque se não bastassem as desilusões amorosas, ainda teve de partilhar durante três anos na aula de Físico-Químicas a carteira com o Simão, um sportinguista que tinha um dossier repleto de imagens do seu futebolista favorito, César Prates.
Enfim, foi só no décimo-primeiro, um ano depois de se ter estreado no lançamento da mini, que se apaixonou verdadeiramente por uma catraia que não era badalhoca. Passou-se isto uma vez à porta do café "O Pipas", onde ia toda a garotada da escola fazer introdução ao alcoolismo. Ali a viu. Após ter emborcado meia garrafa de Pisang Ambon e três shot's de "pastel de nata" lá estava ela, a mulher da sua vida, vomitando com grande categoria sobre as calças Sicko 19 que vestia algo que possuía um fino aroma a canela e a bílis. Nunca mais conseguiu esquecer aquele cheiro, mas se calhar devia.
Como todos os seus colegas, ou pelo menos metade, Hadrianno foi numa viagem de finalistas. Mas como não se lembra de nada que tenha acontecido nessa semana, eu também não vou escrever sobre isso. E foi para a universidade, estudar desemprego. Licenciou-se com sucesso em provas de mini preta, ginja e shot's, foi praxado por tipos com dez matrículas e metade desse valor em neurónios. Depois disso, bem, as oportunidades apareceram como por magia. Estava um domingo na feira de Santana com os seus progenitores a anunciar bugigangas quando avistou numa banca de cassetes pimba aqueles que viriam a ser os seus mentores e colegas: Ediberto Lima e Dj Pantaleão. Ediberto passou pela sua banca e ali viu um objecto que o maravilhou, um corta-unhas com a bandeira brasileira. Mas outra coisa lhe chamou a atenção, Hadrianno. Nunca Ediberto tinha visto um tipo tão peludo na sua vida, tirando Tony Ramos. E percebeu que era disto que precisava para o seu projecto televisivo depois de "Muita Lôco":
"Aí meu chapa, cê já feiz televisão?"
Hadrianno não sabia bem o que responder. Talvez a verdade fosse o ideal.
"Népia bacano. Mas porquê?"
"Preciso de um cara como ócê pa pôr numa jaula no meu programa e dar porrada em quem lá aparecer cantando mal. Pago bem. Dez contos por mêis".
"Tá".
Hadrianno aceitou o convite. Aliás, na sua condição não podia ter feito outra coisa - era bom demais para recusar. Estar três horas aos sábados à noite a dançar dentro de uma jaula ao som de música pimba era o sonho de qualquer descendente de cantelheiro. Ali conheceu a mulher com quem viria a casar, Maria Grovetka, uma emigrante de leste que usava as cuecas pelo umbigo. Emídio Rangel foi seu padrinho de casamento, e deu-lhe um calduço nesse dia. Teve dois filhos, nenhum deles um prodígio em beleza física. Viria a falecer em Maio de 2005, vítima de programa do Goucha. Não ressuscitou, o que já de si foi bom.
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Tuesday, 25 August 2009
Pessoas que dizem “fazer piscinas” em vez de natação criam imunidade ao programa Novas Oportunidades
IEFP/RC - O programa "Novas Oportunidades", famoso por dar a futebolistas que falam na terceira pessoa as mesmas qualificações que as de um tipo que estudou mais dez anos, começa a tornar-se frágil perante o sistema imunitário de certos indivíduos. Quem o revela é o virologista Vitorino Xanadú a' O Indesmentível, que as pessoas que dizem "fazer piscinas" e "adominais" criaram imunidade ao programa lançado pelo Governo: "De facto, estes sujeitos parecem estar a fabricar um tipo nunca antes visto de linfócitos. Possivelmente devido à sua quase nula capacidade para o cálculo mental e generalizada dormência de neurónios, dá a ideia de que estão a criar uns super-neurónios com um comportamento género Obélix, que dão bordoada em tudo o que aparece". Segundo o virologista, estes podem servir para o tratamento de diversas doenças, como a SIDA, Sífilis, e o tema "Sonhador, Sonhador" de Tony Carreira.
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"Transformistas": Filipe La Féria prepara encenação do blockbuster "Transformers"
POLITEAMA/RC - Após produzir os musicais "Jesus Cristo Superstar" e "My Fair Lady" onde um dos actores era heterossexual, La Féria quer repetir a proeza com o anunciado "Transformistas". A peça explora o conflito entre Autobots e Decepticons, aqui designados "Autobotas" e "Decepticonas", mas distancia-se do original em certos pontos. "É uma história de amor entre uma Yamaha DT e um tractor Massey Ferguson, que a meio de uma operação stop decidem transformar-se em robôs com uma vontade maluca de pôr maquilhagem exagerada e ir ao Trumps". Quanto aos actores, La Féria anunciou na sua voz rouca ter já dois nomes em mente. "Para interpretar a Yamaha DT, a Megatrona, escolhi o João Baião. Já lhe telefonei ontem, mas como ele estava sentado num touro mecânico não percebi o que ele disse. Para a Optimus Prima, o tractor, quero o Malato. Mas ainda não falei com ele, pois tem estado ocupado a enfardar torresmos com o Fernando Mendes nas últimas semanas".
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Saturday, 22 August 2009
Wednesday, 19 August 2009
Gripe Canina
Quando o meu cão se constipou, tratei-o com Peddie Gripal.
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Tuesday, 18 August 2009
Piadolly
Quando um humorista faz clonagem de uma piada de outro.
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Trunks mete Son Goten em tribunal porque lhe ficou com um rim na fusão
SEGUNDO CALHAU A CONTAR DE NAMEK/RC - O filho de Vegeta e Bulma, conhecido pelo seu cabelo extravagante ao estilo de Vanda Stuart, despoletou a polémica esta semana no seio do Dragon Ball: "A verdade é que o Son Goten me ficou com um rim na fusão. E além de nunca me ter dito nada, ainda o vendeu para comprar um Ford Fiesta dos novos". Trunks revelou ainda a'O Indesmentível quem pretende que o defenda no caso: "Caso o João Nabais ainda tenha bigode, vou por ele. Senão vou ter de falar com o José Maria Martins. Se isso falhar, bem, vou ter que andar um ano à procura da porcaria das bolas de cristal e peço um rim novo ao dragão. Ou então faço como aquele porco na primeira série e peço umas cuequinhas".
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Jerónimo de Sousa recusa aconselhar Pinóquio mas admite diálogo com Popeye
ALUNOS DE APOLO/RC - O líder do PCP, também professor de sapateado estalinista nos Alunos de Apolo, veio esta segunda-feira comentar os rumores que dão como certa uma parceria dos comunistas com o PS de Sócrates: "Nunca o meu partido vai ser compincha do Pinóquio. É um sujeito sem ética, que à primeira oportunidade despachou o pai para Bruxelas. Não se pode confiar em gente a quem cresce o ego quando mente." No entanto, o secretário-geral do Partido Comunista abriu as portas ao diálogo com Popeye: "Teria todo o gosto em discutir ideias com ele. É um tipo que come hortaliças, e como tal poderia facilmente fazer parte d'Os Verdes ou assar sardinhas na Festa do Avante. Depois, tem uma companheira magrinha que não se importará de passar fomeca quando os proletários de todos os países se unirem." Entretanto José Sócrates, que escolheu como sede de campanha o estômago de uma baleia, recusou comentar se se iria tornar ou não um menino de verdade, pois Carlos Silvino estava por perto.
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Saturday, 15 August 2009
Um Lobisomem Moçambicano em Alpiarça

Passavam três minutos das seis da tarde do dia vinte e dois de Fevereiro de 1994 quando, à porta do café O Micas em Alpiarça, parou uma Toyota Hiace de caixa aberta. O condutor - na casa dos cinquenta - apressou-se em abrir o taipal traseiro e levantar o oleado, de onde surgiram dois indivíduos. Eram eles Carlos Alberto e Pedro, dois moçambicanos respectivamente de vinte e cinco e vinte e sete anos. O sujeito que conduzia a carrinha, pelo farto bigode, camisa Sacoor de rato nas costas e “lápes” atrás da orelha trata-se claramente de um comum empreiteiro ribatejano. Naquele dia levou a Toyota e não o jipe SsangYong porque o seu filho beto o estampou contra o muro do quintal do vizinho. Coisas que sucedem. Mas sim, os rapazes.
Carlos e Pedro eram dois tipos que tinham crescido a ouvir João Maria Tudela cantar que o seu país era “alegre como a chita”. Já Portugal, onde agora residem e trabalham como trolhas, não tem os passeios muito limpos. Este país por que abandonaram a pátria cantada por Tudela é um oásis de cocó nos passeios, estradas mal alcatroadas e cantores que plagiam como quem tira catotas. Apesar disso, não se arrependem.
Ao final de um dia de trabalho, nada melhor que repôr os líquidos perdidos a acartar baldes de massa. Como tal, despediram-se do senhor Barroso (o verdadeiro nome do empreiteiro) e entraram n’O Micas. Procuraram uma mesa, sentaram-se e começaram imediatamente de um pires a petiscar tremoços, um marisco muito famoso lá na terra. Por trás do balcão, o senhor Raposo, dono d’O Micas, limpa os copos com o mesmo pano com que esfregou os azulejos bolorentos da casa de banho. Olha-os com ar de desdém.
"Eram duas minis ó chefe", pediu Carlos, enquanto limpava o suor da testa com o indicador e o guardava na virilha direita.
"Não temos", respondeu ríspidamente o senhor Raposo, que de semblante carregado, enchia agora com as próprias mãos os pires de tremoços.
Algo não estava bem. Pela primeira vez em muitos anos, Carlos sentia-se ostracizado. O senhor Raposo, sabia, fora combatente na Guerra Colonial. Raposo não simpatizava com a sua cor de pele, era isso. Mal estes pensamentos vieram à cabeça de Carlos, logo ele convenceu Pedro a levantar-se e sair dali com ele. O senhor Raposo não desaprovou, mas deixou o conselho:
"Vão pela estrada que há por aí muito bicho matreiro no mato!"
E eles lá foram, já anoitecia. Andaram muito tempo, até o manto nocturno cair sobre os seus corpos e chegar a um ponto em que não se viam um ao outro. Porque aquelas estradas também não têm propriamente boa iluminação. Não tardou muito até que ignorassem o conselho de Raposo, e saíssem da estrada. Foram ter a uma vinha.
"A falta que nos fazia agora um Petromax pá!" - admitiu Pedro a Carlos, que sorriu sem perceber muito bem onde o colega estava. De repente um barulho: Passos. Pedro Passos Coelho? Não, seria algo muito maior. Movia-se rápido entre os corredores. Obikwelu? Não, não era o Francis de certeza, que ele tem mais que fazer do que andar a correr numa vinha à noite. Até que, de repente, Pedro gritou. Um grito animalesco e estridente, um grito de horror, de quem viu o Carlos Castro nu. Algo se movimentava agora na sua direcção.
Carlos começou a correr, a respiração ofegante, o mato denso, as havaianas a caírem-lhe dos pés. Mil imagens lhe vieram à cabeça: as trombas da Paula Bobone, as trombas da Paula Bobone, as trombas… E quando parou, sob a luz da Lua Cheia, um bicho que se não era um lobo grande como os cornos vou ali e já venho. Carlos ali permaneceu de boca aberta, como quem come um Cornetto com gulodice. E o lobo olhou para ele com aqueles olhos grandes de quem não sei o quê. E Carlos olhou para o lobo e viu que ele tinha uma pila pequenina. E o lobo não gostou e deu-lhe uma trolitada na tromba. E fugiu.
Dia seguinte, pela manhã, Carlos sentiu o sol bater-lhe na cara. Sentiu um cheiro que imediatamente reconheceu, a ala hospitalar. E ouviu o tossir tabagista de uma velhota. Uma velhota que tinha algália e catarro como nunca visto. Uma velhota que a dada altura se engasgou com a sopa e ficou com um fio de caldo verde pendurado numa narina. A enfermeira chegou, e sem reparar na velhota e na sua narina, deu as boas novas a Carlos:
"O senhor parece que foi vítima do Chupa-Meloas" disse, enquanto abria ainda mais as persianas da janela.
"O Chupa-Meloas?" respondeu Carlos, tentando evitar o sol nos olhos.
"Sim, é um bicho lá de Alpiarça, que ataca as frutas a meio da noite antes de ir para a discoteca".
"E o meu amigo, sabe alguma coisa dele?"
"O seu amigo está bem, bateu a bota. O Chupa-Meloas pensou que a cabeça dele era uma fruta e deu-lhe umas trincas".
Meu Deus, o Pedro morrera! E ainda bem! - pensou Carlos - que ele era chato como a potassa e cheirava que nem um burro a transpiração .
"Que hospital é este?" perguntou Carlos, evitando falar da velha ao seu lado.
"Santarém, meu menino. Terra de toiros, vinho, gente rude e que atura o Moita Flores".
O coração de Carlos encheu-se de satisfação - estava num sítio onde não tinha nada a temer, pois a cada esquina se encontram ora indivíduos cheios de bazófia ora agentes de autoridade ébrios.
Anoitecera. A velhota dormia agora o sono dos anjos, após jantar filetes com arroz. Ou dormia ou estava morta, uma das duas. Carlos acordou sobressaltado, com o corpo a ferver. Os olhos pareciam querer saltar-lhe da cara. Todo o corpo lhe começava a queimar, as mãos, pés, pernas, braços, até que cada poro era um vulcão e Carlos começou a gritar a plenos pulmões, sem nunca incomodar a velhota. Atirou-se para o chão, rasgou as roupas, e debaixo delas, do peito ao pescoço, uma enorme cicatriz deixada pelo monstro que o atacara.
E assim começou, sob a luz da Lua Cheia, a transformar-se. Cresceram-lhe as mãos, as unhas das mãos; os pés, as unhas dos pés; os ombros alargaram, os braços alongaram, a pila encolheu. O seu queixo ficava agora ainda mais saliente - querendo lembrar o da Ana Gomes - e cresceram-lhe uns dentes que bem precisava, pois já só tinha dez. Mas sobretudo, cresceram-lhe pêlos por tudo quanto era sítio. Por momentos, o narrador fica na dúvida se está a relatar a transformação de um indivíduo num lobisomem ou em Tony Ramos. Na noite de breu ergueu-se, mas não a voar. Dirigiu-se à recepção e telefonaram-lhe para a Scaltaxis, partindo minutos depois para Alpiarça com o senhor Jacinto Barbosa. Embora experiente nestas lides, nunca Jacinto tivera oportunidade de transportar um lobisomem:
"Já transportei muita gente, caramba. Até a Leopoldina e a Popota, que me fizeram um lap-dance porque não traziam dinheiro para pagar o serviço. Não gosto muito de avestruz, mas como dizia o meu pai, o que vier marcha".
Chegaram à porta d' O Micas. Eram dez horas, sensivelmente. Lá dentro ouvia-se um bonito ritmo reggaeton e cá fora três putos vestidos com calça, camisa e sapato Timberland bebiam shot's de Gold Strike. O senhor Jacinto disse que não era preciso Carlos pagar, tal era a singularidade do passageiro. Então partiu, buzinou e Carlos uivou em modo de resposta. E Carlos irrompeu pela porta do café. Ao balcão, o senhor Raposo - no seu habitual tom ameaçador -mascava um palito por debaixo do seu hirsuto bigode. Tensão por todo o estabelecimento, um silêncio de morte. De repente, o senhor Raposo arrota. Jantara iscas. Previsível.
Carlos aproxima-se, passo a passo, do balcão. O senhor Raposo não se move, e olha-o nos olhos ao mesmo tempo que masca o palito e coça a virilha direita com a unhaca do mindinho.
"Quero uma mini ó sachavôr!" diz Carlos, numa dicção demasiado perceptível quer vindo de um trolha, quanto mais de um lobisomem. E o senhor Raposo, pegando o pano de limpar os copos do balcão e deitando-o no ombro direito, reafirma:
"Não temos minis, já te disse pá. Mini é bebida de pandeleiro. Aqui no Ribatejo a gente bebe é tintol".
Carlos fica estupefacto.
"Então mas você não é racista?"
"Racista, eu? Tá maluco o bicho. Não digo que nunca tenha tido chatices com pretos, que tive. Olha, uma vez andei à porrada com um porque ele pôs uma mina num sítio onde um rapaz depois rebentou uma perna. Não que eu tivesse interessado na perna, mas tinha guardada a minha colecção de cromos do Eusébio na bota do gajo e foi tudo pró galheiro"
Carlos, no meio daquele semblante canídeo, sorriu. E babou-se um pouco.
"Olha lá rapaz, tu queres emprego?" disse o senhor Raposo "tens é de cortar essa guedelha que pareces um lobzóméne".
Carlos sorriu de novo perante tamanha generosidade.
"Pode ser senhor Raposo. E já agora, um tintol".
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Wednesday, 12 August 2009
Tuesday, 11 August 2009
Clássico Absoluto
«E ainda és obrigado a esconder a tua cara que, há que dizer com frontalidade, não é nada de especial. Aliás, és possuidor de umas trombas que vou-te contar.»
«Ouve lá ó Bastos, não estou a gostar da maneira como estás a vilipendiar a minha face»
Ramírez de "Highlander - Duelo Imortal" assina pelo Benfica
ÁGUIA VITÓRIA/RC - Não satisfeito com o facto de ter no plantel três jogadores chamados Javier, Jorge Jesus pediu a Rui Costa que contratasse outro com nome de atum. Ramírez, de seu nome completo Juan Sánchez Villa-Lobos Ramírez, já foi internacional mil e duzentas vezes pela Escócia e joga onde for preciso desde que lhe dêem uma espada. "Se não for uma espada pode ser uma katana. Ou um machete. Ou um sabre japonês. Assim sempre que me aborrecer com o penteado do Jorge Jesus posso cometer seppuku." Entretanto Jorge Jesus, enquanto mascava uma pastilha Gorila já de três dias, explicou a'O Indesmentível a contratação do internacional escocês. "O Ramírez era um jogador que eu já apreciava antes de ele andar em passeatas com o Connor MacLeod. É um jogador útil para marcar colegas que gostam de distribuir pancada como rebuçados, género Tonel e Bruno Alves. Para compensar a saída do Bynia é ideal, pois volta e meia lembra-se e decapita um adversário."
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Andróide de “Exterminador Implacável 2” desempregado desde Maio
HASTA LA VISTA BABY/RC - O andróide metamórfico do filme de James Cameron, T-1000, foi dispensado em Maio da fábrica da Skynet em Bajouca. "Essa espécie de Lawrence Limburger do Teixeira dos Santos bem pode vir para a televisão dizer que a crise acabou e o caraças, mas eu sei é que a experiência de tentar limpar o sarampo ao John Connor não me serve de nada. Agora nem no Fabio Lucci me dão emprego". Sem trabalhar há quase três meses, o seu único sustento tem sido a tonelada de ração ganha com a pega de um touro na picaria da Feira da Agricultura de Santarém. "Partilhei aquilo com o Bastinhas, que estava farto de comer Pedigree Pal ao pequeno-almoço. Já comentei com ele, aquilo com leite quase que passa por Estrelitas". E é com mágoa que revela a'O Indesmentível a atitude dos seus antigos patrões para consigo. "Nem um telefonema, uma palmadinha nas costas, um mil-folhas do dia anterior, nada. Até com nitrogénio líquido já levei nas trombas, mas eles não dão valor ao esforço que um tipo faz. Querem é o deles".
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Ontem vi isto de novo

Um sacana de um filme este, que levanta a moral a um tipo. Um GRANDE Bill Murray, como já nos habituou, e uma lindíssima Andie MacDowell, das mulheres mais giras de sempre no cinema.
Monday, 10 August 2009
Sunday, 9 August 2009
Eulogy

«the way to create art is to burn and destroy
ordinary concepts and to substitute them
with new truths that run down from the top of
the head
and out from the heart»
Charles Bukowski
Saturday, 8 August 2009
O Excremento
O excremento deitado no chão por limpar
No estúdio da dois a importunar
A esfregona no balde espremeu três vezes
Espremeu três vezes e a pingar,
E disse «Quem é que me quer limpar,
Deste soalho de tom horrendo,
Deste solo negro e imundo?»
E a dona Helena disse, varrendo:
«Alevanta-te cabrão!»
«De quem são estas tiras de pano?
De quem é este cabo ou cano?»
Disse o excremento, e fedeu três vezes,
Três vezes fedeu imundo e insano,
«Quem limpa melhor que um ucraniano,
E armado anda de esfregona e avental
E a água escorre com determinação?»
E a dona Helena varreu, e disse:
«Alevanta-te cabrão!»
Três vezes de vassoura nas mãos se ergueu
Três vezes de esfregona nas mãos volveu,
E disse no fim de limpar três vezes:
«Aqui de esfregona sou aquilo que mais temes:
Sou quem dá beijocas e faz higienes;
E olha excremento, tu não me impressionas
Dou-te com este cabo e vais parar ao chão
E após uma pancada em erógena zona,
Alevanta-te cabrão!»
versão original da declamada pelo Luís Filipe Borges no 5 Para a Meia-Noite, ligeiramente modificada, aqui.
Friday, 7 August 2009
Wednesday, 5 August 2009
Sócrates pede Sócrates em casamento...e aceita
BOLO DE NOIVA/RC - O primeiro-ministro português, respeitável narcisista e admirador do slogan do leite Matinal "se eu não gostar de mim, quem gostará?", admitiu ter casamento marcado consigo próprio para antes das eleições legislativas. "Sim, é verdade, estou noivo. Já deviam ter reparado que o amor andava no ar, não?". Os piropos que vinha lançando à sua pessoa nos últimos tempos, segundo nos confidenciou, deram resultado. "Sabe, eu já me achava fofinho quando disse que era um animal feroz, mas depois veio o resto: os jantares românticos, as flores, o amor-próprio. Há dias reparei ao espelho que possuo mamilos magníficos. Só não pratico o auto-coito porque quero esperar pelas núpcias. No fundo sou, como o Tony de Matos, um romântico". Sócrates, entretanto, comentou a'O Indesmentível o suposto convite a Joana Amaral Dias. "Convidei a Joana, sim, mas para o meu casamento. Tinha de lá ter uma gaja assim, nem que fosse para compensar a masculinidade da Ana Gomes."
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Sindicato dos Arrumadores de Automóveis repudia naturalização de Liédson
AULAS DE EQUITAÇÃO/RC - O presidente do Sindicato, a meio de um exercício que incluía a rotação da revista Cais no sentido dos ponteiros do relógio, manifestou o seu desagrado com a naturalização do sportinguista. "Convocar um arrumador brasileiro quando temos cá valores reais como o Cajó, o Fanan ou o Gica é triste." E alerta para o perigo da descaracterização da selecção. "O arrumador e carocho portugueses são únicos méne, é um sector onde há talento. O Liédson consegue dar chutos? Chutos mando eu desde os quinze anos pá. Talento é fazer aqui o que o Cajó ou o Fanan fazem, tirar o braço pelo picotado ou cantar as primeiras duas estrofes do 'Cavalo à Solta' do Fernando Tordo sem pedir moedinha". Entretanto, o dirigente sindical apontou uma alternativa à naturalização de estrangeiros. "É apostar na juventude méne, na formação dos jovens. Ensiná-los a fazer uma limonada, partilhar seringas, saber para que serve um garrote; enfim, preparar um caldo com brio."
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Monday, 3 August 2009
Questão Pertinente
As vítimas de pedofilia que perderam a infância têm descontos no Cartão Jovem até aos 45 anos?
Sunday, 2 August 2009
Drive-By Piropo
Que nome se dá a um boneco de chapéu vermelho que assobia às gajas do seu carro amarelo?
- Noddy Engate.
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Saturday, 1 August 2009
Vá, Busca
Fantástico videoclip de Dj Mayna responsável pela subida da taxa de suicídio em território nacional. Também pode vitimar doentes de epilepsia. Vamos a ter cuidadinho.
Fados
Hoje vi o 'Fados', do Carlos Saura. Não faz bem o meu estilo, mas ainda assim gostei. Principalmente o momento do Chico a cantar o seu 'Fado Tropical'. Chamar-lhe emocionante é pouco.
Thursday, 30 July 2009
Apocalipse em Roupa Interior

Se haviam dúvidas acerca da origem da expressão "fim do mundo em cuecas", espera-se que com esta imagem as mesmas fiquem desfeitas. Não é bonito não.
A Aparatosa Queda de Tony Mascarenhas

Posso oferecer-lhe os meus serviços, meu caro, sem que me torne inoportuno? Receio que esta besta cavalar que ainda agora lhe vomitou a caldeirada de lulas nos sapatos não entenda os da sua classe. O senhor, já deve ter reparado, veio parar a uma bodega daquelas que tresanda a transpiração. Mas sabe, ao fim e ao cabo, gosto disto. Estou habituado a lidar com gente rude, entende? O meu pai, António Vítor Mascarenhas, foi criado nestes ambientes, e de certa forma eu fui também. Aos oito anos já bebia tinto com ele em tascas de renome distrital, como o "Borras" e a "Porcalheira". Nesses espaços de grande intercâmbio cultural, ensinei velhos a jogar à bisca com cartas de tarot e aprendi a arrotar sem recorrer a bebidas gaseificadas. Bons tempos esses. Mas devo estar a maçá-lo com estas estórias, não? Está a gostar?
Assim sendo, continuarei. Meu pai, como lhe contava, cresceu aqui. Brincava no meio da vinha, onde ocasionalmente fazia também as suas necessidades limpando o rabo à ramada. Digo-lhe com o maior dos orgulhos: o meu pai foi dos melhores bandarilheiros que esta pátria pariu, ponto.
Mas diga-me, deseja beber alguma coisa? Vá, aproveite, que recebi o desemprego esta semana e não descanso enquanto não o estoirar. Por falar nisso, vou pedir um pratinho de torresmos. Que lhe dizia eu? Ah, sim, já me recordo. "Tony" Mascarenhas - assim ficou conhecido o meu progenitor - nasceu ali no Arneiro das Milhariças, bem perto do estabelecimento do senhor Inácio, a "Porcalheira". Quando lá íamos, haviam pelo menos duas pessoas embriagadas que lhe batiam palmas. Era bonito. O senhor Inácio foi dos melhores amigos que o meu pai teve, um homem com um singular hálito a iscas e cuja linguagem rude desobedecia a quantas leis gramaticais houvessem. Uma autêntica lenda dos tempos pré-ASAE, era um tipo que usava orgulhosamente a lima do corta-unhas com que limpava o sarro para barrar a manteiga nas torradas, que diga-se, eram "daqui".
A amizade entre o senhor Inácio e o meu pai começou cedo. Foi na madrugada posterior a uma novilhada na Chamusca, em que andaram os dois à bulha, escavacando mutuamente os seus narizes. Ali ficaram amigos para a vida. Ambos eram grandes aficionados, gente que se embebedava com dois litros de vinho e fazia pegas de cernelha de quarto em quarto de hora ao som de um pasodoble. Mas foi em Maio de 1972 que a tragédia aconteceu. Quando tentava instalar uma antena parabólica no telhado da nossa casa, o meu pai caiu, lesionando com gravidade o pulso direito. Como resultado disto, nunca mais pôde meter bandarilhas no dorso de toiros, algo que o transtornou profundamente até ao fim dos dias. Sabe, é com saudade que recordo esse tempo. Esse e aquele em que ouvia cassetes do Cantiflas português no Citroën Ax do meu pai. Ai que bom que era.
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Wednesday, 29 July 2009
António Costa forma Voltron para enfrentar Santana
UNIVERSO/RC - Após muito ponderar enquanto enfardava Panikes com creme de ovos, António Costa decidiu convocar o robô da série animada para defrontar Santana Lopes. Costa, sem experiência em pilotagem, deslocou-se já este domingo à Universidade Independente onde em menos de dez minutos lhe passaram um brevê para condução de robôs de desenhos animados. Santana Lopes, que consta já tinha feito aliança com o CDS-PP, MPT, PPM e o Rei Zarkon do Planeta Doom, viu o candidato do PS, por sua vez, a meter na cabine Helena Roseta e José Sá Fernandes, que vão conduzir respectivamente o braço direito e pé esquerdo do robô. Sá Fernandes, apurou O Indesmentível, escolheu conduzir o pé por ser "apreciador de chispe"; já Roseta, que pediu as bochechas emprestadas a Mário Soares por um ano, ficou com o braço para poder passar os Panikes a António Costa.
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Tuesday, 28 July 2009
Ruínas Mayas
Maya acabou de revolucionar o significado da sigla MILF, que passará agora a ser Mother I'd Like to... Foda-se!!!
Monday, 27 July 2009
Casos de Febre da Dança em Portugal ultrapassam Gripe A
FESTA DO ESPIRRO/RC - O "novo e contagiante programa de entretenimento" da RTP já ultrapassou a Gripe A no número de vítimas em território nacional. Ao que apurou O Indesmentível, 11 novos casos da estirpe dançarina que "vai contagiar Portugal" estão já confirmados. Em conferência de imprensa hoje às 13 horas, a Ministra da Saúde Ana Jorge anunciou que os infectados foram já localizados: "Dez dos casos posso afirmar incluírem os D'ZRT e seus respectivos bailarinos, onde foram verificados leves sintomas de hip-hop e kizomba. Outro caso, mais grave, é o de um senhor que tem um Seat Marbella amarelo a quem a mulher encontrou no quarto a dançar sevilhanas todo nu". Os sintomas da doença caracterizam-se primeiro por um "movimento de ancas semelhante ao de Angélico Vieira" e posteriormente pela "frequentação de discotecas africanas". Entre os grupos de risco encontram-se jovens imberbes, pitas que compram roupa na Zara e Jerónimo de Sousa.
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Saturday, 25 July 2009
Thursday, 23 July 2009
Tuesday, 21 July 2009
Mortal Kombat – para alguns um mero jogo, uma inspiração para Bruno Alves
PORTO/RC O jogador do Futebol Clube do Porto revelou a O Indesmentível que só não fez mais “fatalities” a época passada porque não pôde. “Tenho lá em casa um daqueles livros de truques e dicas para a Mega Drive mas depois não consigo fazer as ‘fatalities’. Acho que ou é do comando ser pequeno ou por eu ter umas manzorras que parecem pás de coveiro”. Mais, diz ter uma personagem favorita no conhecido jogo de luta. “O Jax é quem faz as minhas ‘fatalities’ favoritas: uma em que arranca os braços ao adversário e outra em que lhe arrebenta a cabeça através de uma trolitada a dois punhos.” E confessa já ter tentado aplicar estas técnicas ao futebol, porque o jogo se torna aborrecido sobretudo “depois das putas brasileiras chegarem ao balneário do árbitro no intervalo”. O ex-colega Pepe, afirma Bruno, jogava também com ele. “O Pepe jogava mais era com o Liu Kang. Às vezes até irritava pá, porque ele fazia sempre aqueles pontapés triciclo do uátátátátá, que depois reproduziu nas costas do Casquero do Getafe”.
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Karl Marx acusa: Gordura corporal de Alberto João Jardim é que é inconstitucional
PRÚSSIA/RC – O filósofo alemão Karl Marx não se deixou ficar perante as acusações do presidente do Governo Regional da Madeira ao seu filho Comunismo e disse-lhe das boas no Hi5. Enquanto podava as suas hirsutas orelhas à moto-serra com a mão esquerda e teclava loladas no Messenger com a direita, Marx foi à página de João Jardim no Hi5 e fez-lhe alguns comentários pouco salubres no perfil como “Mein Scheiße Alberto João! P kem anda d cuecax nu carnaval andax mto repontão!”. O prussiano Marx revelou a O Indesmentível que “a gordura de Alberto João é mais inconstitucional que o comunismo” sendo esta afirmação suportada, segundo o filósofo alemão, pelo primeiro artigo da Constituição da República Portuguesa: “Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e não no pesadelo que constituem certos gordos transpirados e de cuecas no Carnaval da Madeira”. Por enquanto, Alberto João Jardim – que partilha com a personagem Hurley da série Lost o facto de ser gordo e viver numa ilha – demora em responder às acusações de Marx porque segundo citam fontes Verdana a grua das obras que costuma transportar o líder madeirense da cama para o computador avariou.
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Thursday, 16 July 2009
Yanuco Djaló
Se carregarmos no ícone do Nenuco africano no site da Luciana Abreu está lá um link para o clube de fãs. How appropriate.
Tuesday, 14 July 2009
Diáspora Portuguesa #3 - Quem Queria

Um rapaz na casa dos trinta anos chega a um digno café de emigrantes e educadamente diz:
- Queria um café.
A empregada, uma senhora de penteado lésbico, responde:
- Quem cria são as vacas.
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Monday, 13 July 2009
A Dama do Sinal

Toda a gente conhece a velha história da mãe-galinha, desse tipo de mãe tão carinhosa que chega a um ponto, acaba por aborrecer uma pessoa. A maioria dos indivíduos que tiveram (e/ou têm) mães-galinha gostam muito de se queixar, no fim de contas sem razão nenhuma. Porque a mãe galinha pode ser uma chata, mas não há mãe galinha que não se preocupe com os filhos, e portanto, seja uma mãe como deve ser. A ausência de um pai galo (ou em inglês, dad's cock) sempre foi uma coisa que me fez espécie, pelo menos durante o intervalo do jogo entre Benfica e Shaktar Donetsk.
E isto para chegar aonde? Ao facto de todos os portugueses se poderem finalmente alegrar, pois agora todos temos direito à nossa mãe galinha. Porque não há uma hora nem minuto que o semblante de Ana Jorge não esteja escarrapachado no meu televisor. Parece impossível. A minha mãe ainda hoje, cada vez que solto um dos meus vulcânicos espirros de alergia a tudo o que é poeira (incluindo a da Ivete Sangalo), interpela-me com urgência para saber se está tudo bem com a minha pessoa, se quero tomar uma daquelas drageias que faz enriquecer os pobres dos ricos que tanto têm. Que hei-de fazer? Felizmente tenho uma mãe decente. Agora não sei é se quero ter uma madrasta que me anda a chatear e aos meus espirros. Ana Jorge não tem nada a ver com isso. Os espirros são meus, só meus, e quando não me apetecer espirrar para a mão ou para um lenço de ranhoca Cien não irei hesitar em fazê-lo para o prato de sopa do próximo. Estamos entendidos?
Que coisa é esta da gripe A afinal? É uma gripe para pessoas que só aprenderam a primeira letra do alfabeto? As pessoas andam alarmadas, e com razão -é que aquelas máscaras são ridículas. Se eu quisesse parecer o Jason Voorhees fazia isso no Carnaval. Não, a sério, quantas pessoas já morreram desta gripe e quantas já morreram de gripe normal durante este ano? Se calhar não era mau fazer as contas. É uma doença nova? Fixe, estou farto de tomar anti-gripes com whisky, venha algo mais forte. Hoje apetece-me ter fantasias, tipo o apuramento de Portugal para o Mundial de 2010. Até prova em contrário, comparada com a titular SIDA, esta gripe A ainda joga na Distrital. No dia em que a gripe A matar em Portugal mais do que os acidentes de viação, aí serei uma pessoa feliz. Ou pelo menos satisfeita.
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AA is for Quitters
Quando a Amy Winehouse escrever a sua autobiografia, aposto que vai ser um bestcellar.
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Ó Elvas, Ó Elvas
Os mais velhos frequentadores chamavam aos fins-de-semana na Casa de Elvas a prova dos novos.
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Sunday, 12 July 2009
Saturday, 11 July 2009
31 de Boca
As camisolas de todos os jogadores do Sporting são de algodão, excepto a do número 31, que é poliédson.
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Friday, 10 July 2009
Tudo Bons Rapazes Em Alcácer Quibir

A primeira coisa de que me apercebi quando vi esta capa do álbum de memórias de José Hermano Saraiva foi a extraordinária semelhança entre o ilustre historiador e a personagem de Joe Pesci em Goodfellas, Tommy DeVito. Teria dado um sacana de um filme, Tudo Bons Rapazes Em Alcácer Quibir.
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Wednesday, 8 July 2009
Cidade China

Passavam três minutos das sete quando entrou num escritório uma mulher que não era, diga-se, uma mulher qualquer. Na gíria, diria tratar-se de uma tipa na posse de um trombil que muito deixa a desejar, mas que para Joaquim Guita - detective privado -marcha. Como ele diz frequentemente, «mete-se-lhe um saco na cabeça e já está». Não me lembro de conhecer um homem com tão pouca esquisitice no que diz respeito a mulheres. Se Marinho Pinto tivesse pipi, aposto que não lhe escapava. Há quase vinte anos que aqui trabalho e sempre foi assim. Recordo, em diversas ocasiões, ter ouvido os mais variados e curiosos piropos atirados da janela do seu escritório, enquanto tirava catotas. «Ó estrela queres cometa?» e «com um cu desses ias cagar lá a casa» eram alguns deles. Se não tivesse dado em detective privado especialista na investigação de adultério, certamente Joaquim Guita teria dado um trolha dos melhores, daqueles que come os tremoços com casca e tudo.
Como dizia eu, entrou no escritório uma mulher, na casa dos 40 anos, que de costas me parecia bastante um bisonte. Tinha eu acabado de acender um charuto na varanda do meu cubículo quando ela entrou, de rompante, poluindo o ar com um aroma que ou muito me engano, ou se tratava daquele incenso dos chineses. Sem descurar os chineses, é claro, que o Joaquim não gosta que se diga mal dessa malta, até porque teve uma breve paixoneta por uma chinesa algures nos anos 90 que lhe partiu o coração. Joaquim veio a descobrir que esta senhora não era afinal do sexo feminino mas tratava-se antes de um transexual, ou como diz o povo, uma mulher com brinde. Não recuperou deste trauma. Não por ela (ele?) ser um transexual, mas porque lhe roubou a carteira onde ele tinha guardado um boletim premiado do Totobola. Há coisas que não se fazem a um homem. Seja como for, esta sirigaita de trombas amassadas que acaba de entrar no escritório diz que suspeita que o marido lhe anda a colocar os palitos. Joaquim não se admira.
«Casos destes tenho eu aqui todos os dias, minha agradável tronga - constata Joaquim - Se fosses mulherzinha e fosses chatear os cornos a quem te pariu é que tinhas juizinho.»
A mulher não se fica, e responde-lhe à letra.
«Oiça meu badameco de meia-tijela, não é tarde nem é cedo, vou fazer queixa às autoridades competentes!»
«Tu podes é ir à merda com um balde ou então vires aqui debaixo da secretária com essa tromba que parece que ficou presa num passe-vite e mamares aqui na minha pi**!»
A delicadeza nunca fora o forte de Joaquim Guita. Há quem, inclusive, o defina como uma besta do car****. Quem diz isto não se encontra completamente errado. Posso afirmar, no entanto, que Joaquim possui grande beleza interior - facto que comprovei em Setembro passado quando este se encontrava embriagado e caiu das escadas abaixo, fazendo uma fractura exposta. Bonitos ossos que o homem tem. No fundo, Joaquim é boa pessoa - um ser humano único. Pelo menos, é a única pessoa que conheço que come sandes de feijoada. Ao pequeno-almoço.
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Monday, 6 July 2009
Friday, 3 July 2009
Wednesday, 1 July 2009
Sacanas Sem Glória

É difícil encontrar filmes estrangeiros em Portugal que tenham o seu título traduzido de forma decente, bolas. Agora é o novo do Tarantino, Inglourious Basterds, a quem os geniais tradutores portugueses puseram o merdoso título de Sacanas Sem Lei. É assim meus amigos, a parte do «sacanas», come-se. A parte do «sem Lei» já é fazer merda. Uma pessoa que conhece minimamente a língua inglesa sabe que Inglorious (não Inglourious, versão afrancesada da palavra) significa «sem glória». Ora uma pessoa que não tem glória não quer dizer que não tenha lei, certo? Até porque para aqueles para quem não existe lei, existe glória.
Confuso? Um pouquinho, mas é verdade. Portanto não ter glória é não ter fama, não ter honra; não é não ter lei. Não ter lei é ser bandido. Simples. Ora estes tipos do filme de Tarantino, não são bandidos. Se neste filme os heróis fossem nazis bem, talvez o título fosse apropriado; agora os heróis deste filme limpam o sebo a nazis. Um pouco de pesquisa não ficaria nada mal a estes senhores tradutores. Este filme faria sentido chamar-se Sacanas Sem Lei se os seus heróis fossem gente do gabarito de Fátima Felgueiras, Avelino Ferreira Torres, Valentim Loureiro, Pimenta Machado, Vale e Azevedo, Pinto da Costa, Oliveira e Costa, João Rendeiro, Dias Loureiro ou Vítor Constâncio. Estes sim não têm lei.
Uma breve sugestão aos senhores tradutores: dediquem-se à actividade piscatória.
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Monday, 29 June 2009
Diáspora Portuguesa #2 - Baralho de Bolso

Uma moça no trabalho, após encontrar um baralho de cartas dos que tem tipas de mamocas protuberantes ao léu e com o pipi encostado ao naipe, disse:
- Vou levar isto para casa para o meu homem, que é para ele bater punhetas enquanto 'tou a trabalhar!
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Thursday, 25 June 2009
Uma Cadeira Em Estado Novo

Foi no dia 25 de Abril de 1974 que bem mais de meia-dúzia de indivíduos fardados se lembraram de atirar flores, mais concretamente cravos, a uma multidão exaltante e desprevenida. Embora segundo a anterior descrição pareça que nos estejamos a referir reminiscentemente ao Arraial Pride ou ao modus operandi do Mascarado de Navegante da Lua, foi desta forma que se perpetrou em Portugal aquilo a que certas pessoas gostam de chamar revolução. Outras, contudo, gostam de chamar-lhe Horácio.
Não que isto tenha verdadeiramente algum sentido, mas acho que o fazem apenas pelo prazer sádico de confundir uma pessoa. Anos antes de Horácio (ou para os mais chegados 25 de Abril) sucedeu que o então chefe do Estado Novo caiu da cadeira. Tudo aconteceu sem espanto da opinião pública em geral, que sabia que Salazar era um forreta e naqueles anos todos teve sempre a mesma cadeira, uma merda feita de contraplacado comprada no Pagapouco. Salazar, diz-se, não recuperou deste episódio. Nem deste, nem dos últimos três mil e setenta e oito da novela Anjo Selvagem. Há quem diga que uma mãe de santo o fez reencarnar num utensílio de cozinha, mas não há ainda elementos que o comprovem.
Como é do conhecimento geral ou nem tanto, António Salazar (também conhecido por Tony Salazar, Toninho Salazar, Tóne Salazar, Tó, ou em casas de alterne, Vanda) teve uma infância difícil. Não só nasceu numa terra com o nome de Santa Comba Dão como também era aquele que ficava sempre mais tempo no meio quando jogava à rabia com os colegas. Vivia com a mãe e irmãs, que eram tão verdadeiramente repelentes que a possibilidade da prática de incesto se afigurava nula. Amigos de infância revelaram que António era um garoto de jogar muito ao peão, jogo esse que consistia em atravessar a estrada feito parvo só para ver se se era atropelado por uma carroça.
Essa brincadeira acabou por dar para o torto, e acabou por ir estudar Direito em Coimbra. Haviam dois colegas na turma de Direito do antigo líder português que partilhavam o prazer sádico de lhe dirigir a palavra, e que mais tarde viriam a ser convidados para uma famosa estância de férias em Peniche. O curso de Direito, esse, terminou-o com uma média de dezanove valores, o que lhe valeu a entrada no programa "O Juiz Decide", como consultor.
A exposição mediática que não teve levou-o invariavelmente ao Governo, onde viria a ser convidado a assumir duas pastas, uma Pepsodent e uma Couto. Durante três milhões e setecentos mil anos Salazar permaneceu na cadeira do poder - jogando a edição especial do Quem É Quem que tem as caras dos membros dos Slipknot - até a dita cuja inevitavelmente se escavacar. Essa peça de mobiliário, segundo consta, foi igualmente convidada a visitar Peniche, acabando por resultar numas estacas daquelas que servem para segurar tendas de campismo.
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Wednesday, 24 June 2009
Tuesday, 23 June 2009
Diáspora Portuguesa #1 - Senhora no Cabeleireiro

Um cão pequeno e inofensivo aproxima-se gentilmente de uma senhora muito bem vestida, na casa dos 50, com uma beleza que remete ligeiramente para o marafona. O canito, com meiguice, dá-lhe uma lambidela simpática na canela e ela, com a delicadeza de uma carrinha de caixa aberta e com taipais, diz-lhe:
«Vai mas é lamber o caralho do teu patrão!»
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Monday, 22 June 2009
No Consultório de Hackenbush #1

Se lhe diagnosticarem pé-de-atleta, não pense que pode bater o Nélson Évora no salto em comprimento.
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Como se vem parar ao pénis...
Desde que tive a bela ideia de colocar ali o sitemeter do lado direito da página, tenho vindo a constatar que este blogue tem tido algumas visitas. Contudo, não se trata de algo adquirido por mérito próprio, mas antes consequência do blogue ter o nome que tem. Por conseguinte, aqui vai uma lista de coisas que algumas pessoas pesquisam no Google e que, por isso, vêm parar cá ao estaminé.
- penis do jovem principe ingles
- receita penis
- o pinto do bonitão
- avos cuidado involuntario
- beto vasconcelos foto penis
- pênis bonito
- penis
- se cortar o penis eu morro
- tamanho*supositorio
- penis bonitos
- fotos trombose peniana
- penes grande e fiar no cu
- como fazer o penis ficar bonito
- ver penis bonitos
- "penis de angelico vieira"
- quero ver fotos de penis humano
- penes de cornos
- eu acho penis bonito
- camisolas par de cornos
- um penis bonito.
Ufa. De salientar que a maioria das coisas que aqui estão foram pesquisadas no Google brasileiro, exceptuando "penis de angelico vieira", "penis bonito" e "camisolas par de cornos", que foram pesquisados no Google português. Todos estes dados podem ser verificados através ali do boneco do sitemeter, basta que lá carreguem. Não inventei isto, mas bem que gostava. É que se cortar o pénis eu morro. De trombose peniana.
Friday, 19 June 2009
Thursday, 18 June 2009
Universo Paralelo
Se eu não gostar de mim, quem gostará?
Wednesday, 17 June 2009
Camões Benfiquista

Os árbitros e assistentes assobiados
Que no colossal Estádio da Luz
Por penalties ao adversário assinalados
Mereceram viagem a Vera Cruz
Com iates e Ferraris comprados
Mais que a força monetária permitia
E num condomínio privado edificaram
Nova mansão, que tanto sublimaram
E também essas contas bancárias
Desses juízes, foram dilatando
A pé, é certo, nunca mais andaram
Por África e Ásia andaram passeando,
Aqueles cujas obras bem lucraram
Se vão das leis do Estado libertando:
Apitando espalham por todo o lado
Faltas que nem um cego via alcoolizado
Cessem do senhor Reinaldo e do Pintinho
As patifarias assim para o grandes que fizeram;
Cale-se de Zé Mourinho e de Pedroto
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre benfiquista,
A quem Vale e Azevedo gamaram.
Oiça-se o que Luis Piçarra canta,
Esta nação, a de uma águia bem pilantra
E vós, ó capitães de equipa, pois criado
Tendes em mim uma certa simpatia
Se sempre, for em golos, celebrado
Como tremoços e cuspo cascas contente,
Dai-me agora golo nada de especial
Que ainda irei de pronto ao meu quintal
Gritar que bonita foi esta jogada
E de resto vomitar entremeada
Deu-me uma fúria grande e sonorosa
E não de arroto leve ou flatulência
Mas de diarreia canora e belicosa
Que o peido acende e se lhe dá incandescência
Deu-me uma tal dor de barriga jeitosa
Gente, de me ajudar tenham a decência;
Senão aviso que cagarei o Universo
Com tudo o que não pude pôr em verso
Tuesday, 16 June 2009
Um Touro ao Volante

Boa memória é uma coisa que herdei de família. O meu pai, por exemplo, Armando Baraço, gostava de salientar todos os dias à hora de jantar as virtudes de uma boa memória. Ele lembrava-se de tudo - tudo mesmo - e em grande detalhe. Lembrava-se, por exemplo, da primeira vez que comeu um Kinder Surpresa e, por inexperiência ou puro desconhecimento, acabou por engolir também aquele recipiente de plástico que guarda os bonecos e é do tamanho dos supositórios utilizados por Cláudio Ramos.
Parte dessa faculdade do meu pai, tenho também eu, Vitorino Baraço, que acabo parvamente de me aperceber de que me lembro de quando fui á metrópole. Foi como se tivesse sido ontem, pena que tenha sido anteontem. Gostei como o caraças da forma simpática e atenciosa com que as pessoas me trataram. Recordo estar numa paragem de autocarro preparando-me para encher o bandulho quando um jovem roupido com umas calças de marca Resina e de tom de pele muito acastanhado que dá ideia de que vive num solário, muito atenciosamente, me apontou uma navalha que muito jeito deu para cortar um queijo de cabra Palhais que levava no farnel.
Pela cidade andei muito a penantes, cruzando-me inclusive com o famoso Aladino, que transportava a sua noiva enrolada no tapete de Arraiolos voador às costas e tinha um odor corporal que se situava algures entre o sovaco de mamute e o hálito a chamuça. Mas nem tudo foi mau. Nesse dia conheci um tipo que havia de mudar em quase nada a minha vida, embora eu não o soubesse. O sujeito chamava-se João Baptista Clemente, um taxista de 51 anos com uma particularidade: era bovino. Ao entrar no seu táxi apercebi-me de dois artefactos que lhe davam uma decoração digna de taberna miniaturizada e a motor: Em primeiro lugar, o seu portentoso par de cornos, e depois, um barrete de campino pendurado no espelho retrovisor que se encontrava devidamente decorado num padrão de sangue seco.
«Foi um forcado a quem limpei o sarampo» contou-me orgulhosamente João Baptista «Era um beto ali de Samora Correia, daqueles que os pais têm Land Rovers e penduram pullovers da Sacoor nos ombros. Não fiquei com remorsos»
Assim era João Baptista. A sua vida era uma lição para todos os touros que viviam no ostracismo do gueto que é a ganadaria. Ao contrário dos restantes bovinos machos, cuja vida passava somente por ganadarias, toureio e depois, matadouro, João decidira que aquele não era o seu destino.
«Sempre fui o mais rebelde da minha ganadaria. Gosto de me comparar com o Mico da Câmara Pereira. Ele achou que o fado não era para ele, e eu achei que o toureio não era para mim. Um gajo nasce como nasce, né? O Mico acabou por se tornar um grande músico rock e eu um grande taxista. Acho que, enfim, traçámos caminhos muito idênticos»
Nota-se no olhar de João Baptista claramente os olhos de um boi, mas de um boi transformado pela metrópole, um boi que abandonou os cascos e possivelmente recorreu a cirurgia para obter aquelas mãos humanas de onde se destaca o seu mindinho, onde deixou crescer uma fascinante unhaca que tanto pode servir para limpar o salão como a cera dos ouvidos como para coçar o cu quando as circunstâncias assim o justificam.
« O meu grande sonho pá» confidenciou-me «Foi sempre o taxismo. Esta coisa de ser parlapatão e distrair os clientes para demorar mais tempo a chegar ao destino, falar da bola, isso tudo, foi uma coisa por que sempre tive fascínio».
Mas a vida de João Baptista nem sempre foi um mar de rosas. No início teve dificuldades em adaptar-se.
«Quando vim para Lisboa foi complicado. As pessoas não estavam habituadas a ver um toiro ao volante, não havia abertura para isso. Havia muito ainda aquela ideia de que os toiros deviam era levar com farpas na lombeira, calar o bico e transformar-se em bitoques de novilho. Isso comigo acabou. Posso dizer que as pessoas começaram a pouco e pouco a ver-me com outros olhos, nomeadamente de vidro, depois de eu lhes vazar a vista com esta cornadura que ostento orgulhosamente»
João Baptista lamenta que, do sítio de onde vem, apesar do orgulho que tem nas suas origens, ninguém tenha ambição como ele teve, ou se tem, rara é.
«Sabe, o pessoal da ganadarias tem um grande problema, que é pensarem todos que só servem para dar cornadas e mais nada. Você vê nas corridas da TVI e isso, aquilo é lá vida?! Andam para ali a correr feitos parvos e a levar farpas no lombo e depois pumba, batem a bota. E com as vacas o assunto é o mesmo. A grande maioria quer é dar leite, que lhes andem a mugir as tetas o dia inteiro. De vez em quando há uma ou outra que, como eu, decidem ter uma vida diferente. Há aí agora uma que é cantora, aquela Luciana Abreu.»
E justifica o seu sucesso:
«As pessoas gostam de mim porque sou o único taxista de Lisboa que acelera quando vê um sinal vermelho, ao contrário dos outros, que mal vêem o verde já começam a abrandar.»
O tempo foge na companhia de João Baptista Clemente, talvez com o medo estereotipado de que este lhe dê uma valente cornada. Desde então, nunca mais conheci um tipo que fizesse tão bem o ponto de embraiagem quanto ele. O orgulho que demonstrava quer no seu par de cornos quer numa camisola do ex-jogador do Benfica Argel faziam dele uma figura deveras solene, que trazia reminiscências da grande besta que ele era. Seiscentos e setenta e dois quilos de peso, dez dos quais só nos genitais, oriundo da ganadaria José Maria Albuquerque Arruda de Vasconcelos. Nunca foi toureado, mas matou um forcado. E isso, meus amigos, ninguém lhe tira.
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